No próximo dia 2 de agosto, Edgar Matias vai correr Sines-Tróia, mais concretamente no areal entre Sines e Tróia… A ideia surgiu depois do cancelamento da já tradicional Ultra Maratona Melides-Tróia. O calor e a maré foram temas da conversa com o segundo melhor português da mais recente Maratona de Sevilha.

Antes de tudo, como o Edgar Matia teve a ideia de correr Sines-Tróia?
A ideia começou a surgir depois de receber a notícia de que a Ultra Maratona Melides-Tróia tinha sido cancelada. A partir desse momento comecei a pensar em fazer algo que essencialmente me motivasse. Em tempos de pandemia e sem provas, tinha de manter o foco e nada melhor que um objetivo arrojado.

Sines-Tróia. Porquê?
Sines-Tróia por se tratar da maior distância de praia ininterrupta da Europa; por poder, de certa forma, homenagear estes três concelhos que detêm esta magnífica maravilha: Sines, onde trabalho, Santiago do Cacém, onde neste momento vivo (Vila Nova de Santo André), e Grândola, pois sou natural da lindíssima Aldeia de Melides. Outra das razões é pelo simples desafio, pois nunca percorri tão grande distância, ainda mais em areia.

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No total, serão quantos quilómetros? E qual o tempo que espera alcançar?
A distância penso que são cerca de 65 km, mas não tenho bem a certeza. Há quem diga que são mais, outros menos, mas sei que não deve andar longe dos 65 km. O tempo que espero alcançar é ainda uma incógnita, pois vai depender de muitos fatores, principalmente do estado da areia. Se conseguir fazer dentro das 6 horas será muito bom.

Qual a estratégia que pretende utilizar na corrida?
A estratégia é manter o foco e um ritmo confortável dentro do possível durante o percurso. Ter em atenção que a primeira metade do desafio será muito dura pela inclinação acentuada e condições da areia. Cumprir com o plano de hidratação/alimentação e esperar que o corpo corresponda da melhor forma durante a “viagem”.

A maré vai ditar a hora do evento? Como o Edgar Matias está a ponderar esse aspeto no desafio Sines-Tróia?
Sim, a maré é um factor extremamente importante, senão o mais importante. Tentarei apanhar duas a três horas de vazante e o resto de enchente, aproveitar ao máximo a maré vazia na fase mais dura do desafio.

E que outras valências extra-corrida é necessário avaliar neste tipo de eventos?
Neste tipo de eventos há várias condicionantes com as quais sabemos à partida que podemos contar, mas depois existem as outras e são essas as nossas principais preocupações até ao dia do evento. Nunca saberemos se o plano estará mais ou menos inclinado nem se a areia estará mais ou menos compacta… Isso é o que realmente preocupa quando se corre na nossa costa.

Evidentemente que o calor poderá ser um contratempo significativo para a conclusão do seu objetivo. Como tem trabalhado este aspeto em particular?
Não tenho feito nada de extraordinário em relação a esse fator porque, e normalmente, junto ao mar a temperatura será sempre mais agradável. No entanto, sei que à partida estará calor. Treino de acordo com a disponibilidade que o trabalho me permite, umas vezes de manhã, outras ao final do dia.

Mas gosta de correr com o tempo muito quente? Ou prefere temperaturas mais amenas ou até frio?
Obviamente que, para correr, prefiro essencialmente temperaturas mais amenas. No entanto, adapto-me bastante bem às temperaturas mais quentes. Naturalmente será necessário um cuidado especial com a hidratação, nunca esquecendo a proteção solar.