Edgar Matias 2020

Segundo melhor português na edição de 2020 da Maratona de Sevilha, Edgar Matias é, no entanto, um atleta amador, com todas as condicionantes e limitações em termos de treinos e disponibilidade que qualquer corredor do género tem.

Recorda-se de quando começou a correr com regularidade? E já corria antes disso?
Comecei a correr de forma pouco regular em 2016 na brincadeira com os amigos e fiz a minha primeira prova em maio, 12 km no Sintra Magic Mountain Trail. Nesse ano não corri mais. Como tal, considero que corro regularmente desde março de 2017 com o objetivo claro de fazer a minha primeira Ultra Maratona Melides-Tróia, a 25 de julho de 2017, onde fui 17.º da geral com 04h04m16. A partir daí foi sempre a evoluir e nunca mais parei de correr. Quando era jovem, a experiência que tenho de corrida é a do desporto escolar, nada mais.

Mas como surgiu a corrida na sua vida?
A corrida surgiu com uma aposta de café entre amigos que já corriam. Eu, em tom de brincadeira, disse que ia começar a treinar e que em pouco tempo corria mais que eles. Eles disseram: «Tu? Correr? Não és capaz…». Aquele «não és capaz» bateu forte e comecei a treinar imediatamente no dia seguinte. Em pouco tempo já corria mais do que eles e esta foi sem dúvida a melhor aposta que alguma vez podia ter feito. Hoje só tenho que lhes agradecer por me terem dado a conhecer o maravilhoso Mundo do Atletismo.

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Mesmo sendo amador, tem vindo a alcançar bons resultados a nível pessoal. Acredita que, caso se tivesse dedicado mais novo à corrida, poderia ter alcançado algo significativo a nível desportivo?
Sim, acredito sinceramente que, se me tivesse dedicado à corrida quando mais novo, e atendendo à evolução que tenho tido dos 37 aos 40 anos, alcançaria resultados significativos a nível nacional. O que ainda pode vir a acontecer no panorama de veteranos, vamos ver o que o futuro nos reserva…

Mas costuma pensar nisso?
Não, sinceramente não penso muito nisso. O que passou passou, fiz outras escolhas, tinha outros objetivos pessoais e profissionais. O Atletismo apareceu quando tinha que aparecer e quando se gosta é aproveitar o momento, tanto no Atletismo como em tudo na vida. Preservo o passado, não esqueço nunca as minhas raízes, mas vivo essencialmente do presente. E é neste patamar que por vezes posso imaginar ou preparar um futuro que todos sabemos não existir.

Como concilia a sua vida profissional com os treinos?
Sim, por vezes é complicado, mas havendo vontade e foco é sempre possível treinar cerca de uma hora por dia. Por vezes o trabalho ou a família não permitem que assim aconteça, mas também não é por falharmos um outro treino que colocamos em causa todo o plano. O ideal seria sempre não falhar, principalmente os treinos longos e os treinos de séries.

Ou seja, não consegue treinar aquilo que gostaria?
Acabo sempre por limitar alguns treinos devido ao trabalho. Por exemplo, é muito complicado fazer treinos bidiários e, como tal, não os faço. Ainda em resultado do trabalho, o que acaba por falhar na preparação? O inevitável descanso? Os treinos, que poderiam ser mais fortes? A verdade é que acaba por não falhar porque treino o que posso em função do meu trabalho. Ou seja, o plano é feito de acordo com a minha disponibilidade. O trabalho, como é óbvio, será sempre prioritário.

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O que é que a corrida lhe trouxe, a nível profissional e pessoal?
Posso dizer de forma clara que a corrida mudou a minha vida, essencialmente a nível pessoal, o que necessariamente se reflete em tudo o resto. A corrida transmite-me uma sensação de liberdade inigualável, paz interior, relaxamento e mente sã. Para além de me obrigar a mudar de hábitos, para hábitos mais saudáveis. A corrida eleva-me a sensação de bem estar e auto-estima, o que se reflete em tudo o que faço no meu dia-a-dia. Digo sempre e não me canso de o dizer nas minhas publicações: «A CORRIDA LIBERTA-ME!» E esta sensação é incrível.