Edgar Matias foi o melhor português na recente Maratona de Lisboa, alcançando inclusive um inesperado Top 20. O atleta de Santo André confessa que não esperava obter esses resultados, mas não esconde ao mesmo tempo o seu enorme orgulho.

Top 20 na Maratona de Lisboa. Era esse o seu objetivo?
Esse, de todo, não era o meu objetivo. O meu objetivo era bater o recorde pessoal que trazia de Sevilha, mesmo tendo a noção que este percurso seria mais difícil.

E ser o melhor português? Chegou a sonhar com essa classificação?
Também não, nem nos meus sonhos mais otimistas. Foi uma grande e inesperada surpresa.

O que significa para o Edgar Matias, daqui a 10 anos, alguém olhar para a classificação e ver que foi o melhor português da Maratona de Lisboa de 2021?
Significa um grande orgulho, algo de que me vou orgulhar sempre, ainda mais tendo em conta como me tenho dedicado a esta modalidade nos últimos anos. Um dia poderei dizer aos meus netos que já fui o primeiro português na maratona de Lisboa. No fundo é só isso que fica, o orgulho.

Edgar Matias, o primeiro português da Maratona de Lisboa 2021
Edgar Matias, o primeiro português da Maratona de Lisboa 2021

Foi no ano passado o segundo melhor português na Maratona de Sevilha (leia aqui). Qual a posição que o deixa mais orgulhoso?
Sim, em Sevilha 2020, o primeiro foi o grande Hermano Ferreira. Ser o primeiro português e europeu em Lisboa é para mim motivo de maior orgulho.

Sobre a prova em si, como foi a corrida? Tinha a noção de que era o melhor português, por exemplo?
A prova em si decorreu segundo o que tinha planeado: fazer uma primeira Meia-maratona abaixo da 1h14 e depois manter o ritmo, sabendo que a parte final da prova seria mais plana. Só me apercebi que era o primeiro português quando o público o começou a anunciar.

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Idealizou uma estratégia específica para a prova?
A estratégia era resguardar-me o máximo possível no grupo da elite feminina e assim fazer uma boa primeira Meia-maratona, como referi.

O que poderia falar sobre o percurso? Muito complicado?
O percurso poderia ter sido mais complicado por causa do fantasma do vento, fantasma esse que felizmente não apareceu. A parte inicial é mais dura, com algum sobe e desce. A segunda Meia é bem mais plana, mas na parte final também se complica por causa da calçada ou paralelo em mau estado. Com o cansaço acumulado torna-se difícil manter o ritmo nesta fase final da prova.

O tempo final, de 2h29m13, era o esperado?
O grande objetivo era fazer a Maratona abaixo das 2h29h27, anterior recorde pessoal, e com isso tentar ser campeão nacional de veteranos V40. Tudo o resto foi completamente inesperado.

E correr com a elite feminina foi determinante para este desfecho final, correto?
Na primeira parte da prova tentei sempre integrar o grupo da elite feminina, onde permaneci na frente com o Bruno Paixão, André Costa, Ricardo Madeira e Hugo Costa. A determinada altura, eu e o Ricardo Madeira perdemos o contacto com o grupo e permanecemos juntos até cerca da metade da prova, quando alcançámos o Bruno. Foi a partir desse ponto que me isolei até sensivelmente aos últimos 5 km, aonde voltei novamente a encontrar algumas das atletas africanas. Já agora, aproveitar esta oportunidade para dar os parabéns a todos os atletas portugueses pelas suas prestações.

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