Diana Almeida é a nova atleta do Sporting de Braga, após quatro anos a representar o Sporting. A agora bracarense olha hoje e nos próximos dias para tudo o que viveu nos leões, mas também para o próprio Atletismo nacional, sem esquecer o que espera como atleta das Guerreiras do Minho.

Quatro anos no Sporting. Quais as recordações que a Diana Almeida leva consigo?
Levo muitas recordações destes quatro anos no Sporting, sobretudo o espírito de equipa que sempre tivemos. No Sporting havia muita entreajuda e na equipa éramos todos importantes. Isso vai ajudar-me nos novos objetivos coletivos que vou ter e a enfrentá-los da melhor maneira. Todas as nossas experiências, boas ou menos boas, ajudam-nos a adquirir novas perspetivas de encarar a vida.

E quais foram os momentos mais altos destes quatro anos?
Eu considero um momento muito especial para mim, que foi quando venci o Corta-mato de Barcelos em 2015, que servia de observação para o Europeu. Foi um momento muito emocionante para mim devido ao que tinha ultrapassado nos últimos dois anos. Em 2013 fiz a minha melhor época batendo os meus recordes pessoais e estipulando um novo recorde nacional júnior nos 3000 metros obstáculos no Europeu de pista. Logo a seguir enfrento a minha maior batalha até hoje, duas lesões graves, fraturas de esforço nas duas pernas. Ainda consegui fazer um Corta-mato e apurar-me para o Europeu, mas vim a descobrir a gravidade da lesão que me impossibilitou de marcar presença. Juntando-se o choque de não poder ir ao Europeu depois de tanto esforço e aguentando dois meses de dores, uma paragem de 3 meses transformou-se numa paragem de 9 meses. Voltar aos treinos foi fácil, difícil é gerir a espera pela forma física. E, em pouco mais de um ano, voltei a sentir-me bem e isso culminou na vitória no Corta-mato. Nesse dia, senti-me tão recompensada… Foi uma vitória muito especial para mim, uma reafirmação enquanto atleta.

«Quem tiver sonhos no Atletismo não pode treinar por treinar, temos que saber treinar, estar focados a 100% em cada treino e saber se realmente queremos isto para nós»

E o menos positivo?
Não existe um momento específico, mas sim um conjunto de resultados. Nos últimos três anos eu não estive bem e tenho plena noção disso. Não estava bem fisicamente e depois é tudo uma bola de neve em que, psicologicamente, nos vai acabar por afetar.

O que aprendeu nestes quatro anos em termos desportivos? E em termos pessoais?
Em termos desportivos aprendi a ser mais paciente e que há momentos que, se não estivermos em equilíbrio, nada sai bem. Quem tiver sonhos no Atletismo não pode treinar por treinar, temos que saber treinar, estar focados a 100% em cada treino e saber se realmente queremos isto para nós. Tive de fazer perguntas a mim mesma e responder com sinceridade, sem camuflagens, se realmente era isto que eu queria para mim.
Em termos pessoais aprendi que devo saber filtrar o que me vão dizendo. Tenho de saber identificar quem realmente quer a minha evolução. Isto tudo tem de ser um trabalho só meu!

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Quais os nomes que estarão sempre consigo, que foram fundamentais nestes quatro anos?
As pessoas são as mesmas que me acompanham ao longo dos últimos anos e que acreditam em mim, por vezes, nos momentos em que eu própria deixo de acreditar. O meu pai, que é treinador de Atletismo, é a pessoa mais importante da minha vida, quem mais acredita e nunca desiste de mim.
O meu treinador, Nogueira da Costa, que tem sempre as palavras certas para mim e que, ano após ano, vai guiando os meus treinos e o meu percurso desportivo.
Os meus colegas de treino que, diariamente, contribuem para a minha evolução. E os meus amigos de vida, que estabelecem um equilíbrio entre os treinos e a minha vida pessoal. É importante manter o equilíbrio diário entre a nossa vida desportiva e pessoal.

Na quarta-feira, Diana Almeida fala do momento complicado que o Sporting vive no Atletismo.