Em tempos de coronavírus é necessário encontrar novas maneiras de correr e é o que acontecerá no Desafio Olimpo. «Pode ser feito em qualquer dia, a qualquer hora, sozinho, a correr, a caminhar, não tem inscrição, não tem dorsal», refere Mario Elson.

Concretamente, o que é o Desafio Olimpo?
É um conjunto de desafios em que o principal objetivo é promover a atividade física, neste caso o Trail Running, pretendendo que seja seguro praticar nesta altura de pandemia porque não há necessidade de haver ajuntamento de pessoas. Pode ser feito em qualquer dia, a qualquer hora, sozinho, a correr, a caminhar, não tem inscrição, não tem dorsal. É a maneira mais básica e simples de se correr no trilho. Queremos também dar a conhecer as serras e os percursos que desenhamos. Se fosse de outra forma, possivelmente não chegaríamos a tanta gente.

E como e quando surgiu o Desafio Olimpo?
O primeiro Desafio Olimpo surgiu em 2016, mas diferente deste. O primeiro foi apenas em Valongo, num percurso linear e mais fácil, e tinham 7 meses para fazer o desafio. O atual surgiu de uma ideia minha para ser feito apenas em Paredes, pois gostaria de mostrar o percurso mas não queria organizar uma prova. Lembrei-me do Desafio Olimpo anterior, falei com o Sérgio Duarte e então revitalizamos o projeto anterior e juntamos Valongo. Achamos ainda uma boa ideia juntar Santo Tirso porque é um local onde treinamos várias vezes e nada melhor do que ter o Domingos Freitas, organizador do STUT. Somos nós os três que estamos na organização. Mas a ideia de base é a mesma de 2016: um percurso estabelecido em que os atletas têm que seguir por GPS e a classificação é dada pela plataforma Strava. No fim, o mais rápido é agraciado com um prémio. O atual Desafio Olimpo vai ter três desafios, em três locais diferentes, em três datas distintas. Os percursos serão circulares e mais desafiantes. E haverá prémio para o melhor masculino e feminino. Esta parte competitiva é única e simplesmente para tornar o projeto mais apelativo, pois sabemos que existe um público que, se fosse para participar por participar, não viria.

Como decorreu a primeira edição? O que recorda?
A primeira edição correu muito bem, foi muito bem aceite, mas num contexto completamente diferente de hoje. Não havia a pandemia, havia mais gente a treinar nos trilhos. Cada vez há mais provas, há muita adesão às provas, mas, quando não as há, os trilhos estão quase vazios.

O Desafio Olimpo terá três etapas
O Desafio Olimpo terá três etapas

Mas foi o que esperavam em termos de participação e da prova em si?
A edição de 2016 foi organizada apenas pelo Sérgio Duarte, mas sei que correspondeu às expetativas.

E o que retiraram dessa edição que resolveram reproduzir este ano?
A ideia base é idêntica: um percurso para ser feito por GPS e a classificação é dada pela plataforma. Qualquer um pode participar, não tem qualquer custo e pode ser feito em qualquer dia e a qualquer hora, dentro do prazo estabelecido.

Mas há grandes diferenças entre estas duas edições?
Como já referi, esta edição tem três desafios, circulares e mais desafiantes. Outra diferença é o prazo para fazer. Claro que os percursos ficarão para sempre e podem ser feitos sempre que quiserem, o trilho continuará no mesmo local, mas, para efeitos de classificação, teremos um intervalo de tempo de um mês para cada desafio.

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No seu entender, qual o principal interesse desta prova?
O Desafio Olimpo não é uma prova, nem pretende ser um evento de grandes massas. Tal e qual como o nome indica, é um desafio lançado por nós para a comunidade do Trail. Não tem dorsal, não tem seguro, não tem um dia específico para o fazer, não há hora certa para começar, não tem limite de tempo, não tem juízes árbitros, não tem ninguém da organização no terreno. Tem um regulamento para darmos a conhecer à comunidade os moldes em que o desafio ocorre porque, acima de tudo, queremos que as pessoas saibam do que se trata e em que moldes isto se irá realizar para evitar qualquer constrangimento.

E como o Desafio Olimpo enquadrar-se-á no momento no qual estamos a viver?
Para muitos será um retomar à atividade física, para outros o retomar aos trilhos. Neste momento, a comunidade do Trail não sabe nada sobre o futuro, não sabe se vai haver provas, se vai haver campeonatos e, se houver, em que moldes serão. O Desafio Olimpo surge no sentido de iniciar a preparação, os treinos. Colocamos um pouco de competitividade para os que querem ser mais competitivos e desenhamos percursos aliciantes, passando pelos locais mais emblemáticos em termos de beleza e dureza. Pelo facto de se poder fazer a qualquer hora e data, não haverá ajuntamento de pessoas. E o nosso principal apelo é mesmo esse: façam-no respeitando as medidas estabelecidas pelo Governo e emanadas pelo decreto-lei. Parte do bom senso, da responsabilidade e da segurança de cada um cumprir.