Criada em março último, a Lisbon Running Tours faz da corrida algo mais do que uma simples… corrida. Pedro Sabugueiro revela como é possível correr em Lisboa, mesmo com as suas insubstituíveis e emblemáticas Sete Colinas.

Tudo o que sobe… desce

O que é a Lisbon Running Tours?
Qualquer corredor que já tenha tido a oportunidade de correr por ruas ou trilhos que até então desconhecia, sabe o quão empolgante e rica pode ser tal experiência – e é exatamente isso que a Lisbon Running Tours procura proporcionar pela oferta de tours guiados em corrida, por ruas, praças, jardins e monumentos lisboetas, acrescentando-lhes um toque informativo e cultural.
Privados e com princípio e fim no alojamento do cliente, os tours são conduzidos pelo Rodrigo Viana Machado, um guia experiente e de competência rara. Há muito para explorar e descobrir e todos os participantes têm direito a uma garrafa de água transportada pelo guia, embora seja costume fazer uma pequena paragem para provar o muito adorado pastel de nata e beber um sumo natural.

A luz ao fim do… elétrico

Como surgiu este novo projeto?
Entrei no mundo da corrida há pouco mais de 3 anos, especificamente no universo do Trail. Consegui, neste tempo, atingir um bom nível e algum sucesso em contexto competitivo. Mas, acima de tudo, conheci muita gente. O mundo é pequeno e por intermédio destes conhecimentos foram-se abrindo portas. À convite do Sérgio Miranda, da Porto Running Tours, comecei a trabalhar no dito projeto para o substituir esteja ele indisponível e também para fazer uns “dinheiritos” enquanto estudo.
Entretanto, decidi iniciar os meus próprios running tours. Fazer concorrência ao meu amigo e “empregador” era-me impensável, pelo que a alternativa mais lógica e viável que encontrei foi a de iniciar este projeto em Lisboa. O volume de turismo em Lisboa é bem superior ao do Porto, a cidade acolhe vários eventos internacionais, muitos deles de caráter desportivo, e a existência de negócios semelhantes na cidade faz deste um projeto ainda mais desafiante!
Conheci o Rodrigo num evento no Porto e, mais tarde, quem diria, viríamos a trabalhar juntos! Tive muita sorte em poder contar com alguém tão multifacetado, experiente e profissional.
Iniciámos atividade em meados de Março e, embora estejamos a dar os primeiros passos, as decisões e estratégias adotadas parecem-nos acertadas. Estamos os dois muito entusiasmados e com vontade de puxar pela cabeça (e pernas!) para realizar todo o potencial desta iniciativa.

A boa disposição sempre reina com o guia Rodrigo

Quantos programas há para correr pela cidade?
Não quisemos limitar os clientes à escolha de um leque de tours. A customização é uma tendência cada vez maior. Os consumidores são diferentes entre si e agrada-lhes um produto à medida. A customização já não é novidade na indústria do turismo e está também a surgir nos produtos e serviços desportivos. Assim, partindo daquilo que sabemos poder oferecer com qualidade, decidimos dar a liberdade aos nossos clientes para no nosso website elaborar o próprio tour, com base em diferentes parâmetros e preferências.
Mantemos, contudo, uma oferta de tours pré-construídos, como o Sunrise Tour, o Street Art Tour e o New Lisbon Tour. A oferta está em crescimento. Brevemente estará disponível, entre outros, um tour pelos trilhos do parque de Monsanto e um tour relativo aos Descobrimentos. Contudo, nem mesmo estes são rígidos. Respondemos a pedidos de alteração e sugestões dos próprios clientes. Temos também soluções “corporate”, para empresas e organizações.

A Rua Augusta é uma das passagens obrigatórias

Em que consiste cada um deles? Qual a principal característica dos programas?
Os tours pré-feitos mais populares são o Sunrise Tour, que convida os corredores a explorar a baixa de Lisboa, bem como a zona histórica, assistindo ao amanhecer de diferentes miradouros; o Street Art Tour, que permite descobrir a melhor arte urbana da cidade com trabalhos, entre outros, de artistas como Vhils e Bordalo II; e o Food & Drink Tour, onde os corredores conhecerão estabelecimentos tradicionais como a Confeitaria Nacional, a Brasileira ou a Ginjinha Sem Rival e correrão por comércios típicos, como o Mercado da Ribeira. Irão inclusive fazer uma breve pausa para provar delícias locais em alguns dos referidos sítios.

Falta pouco para ver o Tejo

Há algum projecto semelhante na capital, qual a diferenciação?
Sim, em Lisboa existem uns quantos idênticos. Em cidades por todo o mundo estão a surgir cada vez mais running tours. Embora responda a um nicho de mercado, creio que há muito potencial por realizar neste conceito. Os tours em corrida são pouco conhecidos, ainda que alguns produtos estejam no mercado há já alguns anos. Contudo, o sucesso de projetos idênticos em cidades estrangeiras serve de bom indício.
Há um limite até ao qual nos podemos diferenciar sem comprometer o conceito dos running tours. Mas, em primeiro lugar, a Lisbon Running Tours conta com um guia de exceção. O Rodrigo é a cara do projeto e faz um trabalho que, honestamente, não creio ter paralelo junto das restantes empresas na cidade. Há que entender que o Rodrigo é guia de montanha e fotógrafo profissional há muitos anos, além de ter trabalhado no departamento de marketing de grandes marcas desportivas. O valor que esta experiência e skills acrescenta aos nossos serviços é muito elevado e os seus efeitos percetíveis!

Ver a arte urbana é um dos programas disponíveis

A facilidade de construção de tours personalizados no nosso website é, sem dúvida, algo a referir. Além disso, para quem desejar, está incluída em todos os tours cobertura fotográfica, também pela mão do Rodrigo.
Naturalmente, acabamos por nos distinguir ainda em aspetos tão simples como iniciar e terminar os tours à porta do alojamento dos clientes ou transportar água para cada corredor, o que não se verifica em todos os outros projetos.
Por outro lado, estamos a montar uma rede de parceiros diversa, que vai desde escolas de yoga a escolas de surf e até running tours em outras cidades, como é o caso da Porto Running Tours. Estas parcerias manifestam-se, por exemplo, em atividades e programas conjuntos e na oferta de descontos.
Estamos a desenvolver outras colaborações e a trabalhar em novas ideias que, cremos, virão a ser uma mais-valia, mas que preferimos manter em segredo por agora.

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Sozinho ou acompanhado, o corredor pode criar o seu próprio programa

Este é um projecto apenas e só para estrangeiros?
Os nossos tours estão abertos a todos, mas temos noção que a probabilidade de alguma vez termos clientes portugueses é reduzidíssima. Na mentalidade portuguesa é impensável pagar para correr numa cidade do seu país e nem o carácter cultural e informativo dos tours é suficiente para apelar ao público português. A verdade é que este alinha imediatamente e de boa vontade, mas desde que o tour seja sem custos! No Porto há um projecto muito interessante, a Running Squad Opo, que explora exatamente esta realidade.
Estamos a trabalhar num compromisso que, talvez, ganhe a consideração dos nacionais e que vai certamente ser procurado por estrangeiros.

As famosas colinas de Lisboa

Como correm? Param, correm, param?
Guiamos os tours mas corremos ao ritmo dos clientes e realizamo-los de acordo com a sua vontade. Há quem não queira em altura alguma parar, pelo que não paramos. Há quem goste de se demorar nas paragens, fazer perguntas sobre a informação transmitida e apreciar os monumentos e vistas.
Pelo que sim, há quem deseje correr, parar, correr. Há quem não queira dar descanso às pernas, mantendo sempre um bom ritmo.

Nada como uma conversa com Fernando Pessoa

Lisboa é uma cidade propícia com as suas colinas?
Claro que é, ainda mais devido às suas colinas! Corredores de determinadas nacionalidades, como os dos Países Baixos, estranham os ganhos de elevação, mas nem esses fogem ao desafio. Seguem ao seu próprio ritmo e ultrapassam as dificuldades com ânimo. O perfil “ondulante” de Lisboa torna a experiência muito dinâmica e divertida. Claro que, para quem decididamente abomina subidas, desenhamos tours planos.

Uma selfie?