No próximo dia 28 de maio, o Centro de Marcha e Corrida de Odivelas comemora três anos. Desde sempre, Rui Martins esteve à frente do projeto. Num momento de pandemia, é hora de fazer o balanço destes três anos que pode resumir o que acontece nos restantes 91 centros espalhados pelo país.

O que é o Centro de Marcha e Corrida de Odivelas?
O CMCO faz parte de uma parceria entre o Programa Nacional de Marcha e Corrida, da Federação Portuguesa de Atletismo (FPA), e a Câmara Municipal de Odivelas.
Existem cerca de 90 centros pelo país em que se tem de fazer a inscrição no programa para poder usufruir dos treinos. O valor a pagar são 10 euros anuais, referentes ao seguro desportivo e nada mais. Na inscrição, o atleta escolhe o centro onde realizará os treinos, embora possa utilizar qualquer um dos 91 centros espalhados pelo país. Cada centro tem um horário de funcionamento. Por exemplo, no CMCO trabalhamos de segunda a sexta-feira, com horários diversos para poder estarmos com todo o tipo de pessoas. Temos várias atividades, como caminhada sénior, desporto adaptado, caminhada, corrida, reforço muscular e planificação de treinos, entre outros. Inclusive para quem não consegue ter um horário presencial para treinar.

O Rui Martins está há quanto tempo à frente do Centro de Marcha e Corrida de Odivelas?
Criei o projeto do Centro de Marcha e Corrida de Odivelas com a ajuda do treinador Fernando Alves (N.D.R: também faz parte da equipa por trás do Corredores Anónimos). Foi uma ideia que tive e que apresentei à FPA e à Câmara Municipal de Odivelas, que muito rapidamente me deram resposta positiva e o apoio necessário para a sua abertura e sucesso atual.

Antes da pandemia, quantas pessoas  treinavam de forma  regular?
Com as caminhadas, desporto adaptado e os treinos do final do dia, tínhamos aqui mais de 50 pessoas diariamente, sendo que, nos eventos que organizávamos, esse número era largamente ultrapassado.

Resumidamente, qual era o vosso objetivo e como eram os treinos?
Estudos comprovam que o tempo de atividade física moderada é o suficiente para se obterem grandes benefícios para a saúde e qualidade de vida.
A caminhada e a corrida são as atividades que, pelas suas características e benefícios, melhor se adequam a estas recomendações. O Centro de Marcha e Corrida de Odivelas tem por isso os seguintes objetivos principais:

  • promover a mobilização da população em geral para a prática desportiva
  • contribuir para o aumento do número de praticantes de marcha e corrida em Odivelas
  • desenvolver e reforçar junto das comunidades locais um ambiente social encorajador de um estilo de vida ativo
  • desenvolver mecanismos de cooperação entre diferentes instituições (clubes, centros de saúde, organizadores de eventos, entre outros) tendo como foco o aumento de oportunidades para a prática de atividades físicas através da criação de iniciativas locais
  • oferecer um serviço qualificado (treinadores qualificados) para todos. Todos os clubes e associações desportivas podem usar o centro para os treinos das suas equipas
  • promover o desporto adaptado e dar apoio a instituições com dificuldades com a obtenção deste serviço

Todos os treinos têm características diferentes. As pessoas inscrevem-se no horário e no treino que querem e se identificam. O contacto com os treinadores é diário e deste modo é facilitado a adaptação e motivação aos treinos, tornado a prática desportiva muito mais fácil.

E qual o balanço que faz destes anos?
O balanço é muito positivo, sentimos que fazemos diferença na vida das pessoas, quer no estilo de vida como na saúde. As pessoas sabem disso e dão valor ao nosso trabalho. Fazemos avaliações físicas constantes, o que faz com que a ligação com os atletas não seja só no treino em si, mas também na ligação que criamos para atingir os objetivos que não passam a ser só dos atletas, mas também dos treinadores.

Qual a principal dificuldade que sentiu na construção do projeto?
Confesso que sentimos algumas dificuldades. Trabalhar diariamente com pessoas em grande massa não é fácil, ainda mais por sermos apenas dois técnicos, o que  dificulta um pouco mais. Temos atletas de todos os tipos, como já referi: caminhantes séniores, deficientes, caminhantes, atletas que só querem uma corrida tranquila e outros que querem evoluir,  etc. Isso faz com que uns precisam mais da nossa atenção do que outros. O nosso objetivo é ajudar quem mais precisa, por isso também fazemos muitos planos de treino para ajudar alguns atletas que não precisam de correr nos treinos presenciais com o grupo. Assim ficamos presentes para quem mais precisa.

Memórias positivas e aquelas para esquecer no Centro de Marcha e Corrida de Odivelas até ao momento?
Memórias positivas: os treinos e convívios em conjunto, onde juntamos todo o tipo de atletas.
Memórias negativas: quando tivemos de passar de um número limite de atletas por treino, média de 40/50 por sessão, para 5 atletas devido à pandemia.

Continua na quinta-feira