Melhor atleta português na Meia-maratona do Porto, Avelino Eusébio, de 28 anos, atleta do GFD Running, alcançou o seu melhor tempo na distância, 1h05m25.

Não foi a primeira vez que correu a Meia-maratona do Porto. Qual a sua opinião sobre o percurso e da prova em geral?
Já tinha corrido por várias vezes a Meia-maratona do Porto, todas elas sem nenhuma marca de relevo, a última em 2013, quando concluí a distância em 1h14. Na minha opinião, a prova em si é sempre boa, não fosse a mesma ter o selo de qualidade da organização RunPorto, uma marca já reconhecida no panorama organizacional das corridas em Portuhal.

Como “encaixaria” a Meia-maratona do Porto com a de Lisboa ou outras que já correu? Pontos positivos e negativos?
Não posso comparar a Meia do Porto com a Meia de Lisboa, pois ainda não a corri. Em relação a outras que já corri, como Ovar, Moita, Barcelos, Famalicão, Cascais e Descobrimentos, que não são muitas, a paisagem, o percurso e o público da Meia-maratona Porto têm até agora a minha maior pontuação. O percurso em si tem uma paisagem espetacular, já que se corre sempre junto ao rio Douro, percorrendo as duas margens. No lado de Gaia é a parte do percurso que apresenta maiores dificuldades, já que passamos por uma parte com estrada em paralelo e com umas algumas rampas.

E porque a Meia-maratona do Porto?
A Meia-maratona do Porto, no início da minha preparação para a Maratona, não estava nos planos. Tomámos a decisão de correr a prova a faltar 15 dias para a realização da mesma. Decidimos que seria uma boa prova para testar como estava a minha performance. E em boa hora o fizemos… Procurámos uma Meia-maratona para fazer nesta data e optámos por escolher a do Porto, que era a que nos dava mais garantias para fazermos um bom teste.

Qual foi a estratégia que pretendeu utilizar para a prova? E conseguiu manter o que pretendeu?
Durante a semana, em conversa com o meu treinador, António Sousa, decidimos que iria correr tranquilo com o grupo dos primeiros portugueses nos primeiros 5 km. Depois avaliaria se me manteria no grupo ou se tentaria aumentar o ritmo, conforme me sentisse bem. Felizmente o ritmo era bom e estávamos a correr certinho, não havendo motivo para sair desse grupo, o José Sousa estava a impor um bom ritmo. No quilómetro 13 apanhámos o Rui Pedro Silva e eu passei para à frente, tentando aumentar o ritmo e a ver se conseguia acabar forte. A partir daí fiquei eu, José Sousa e o Rui Pedro Silva. O Rui acabou por ceder por volta do km 16 e nós forçamos ainda mais o ritmo. Procurei baixar para 1h06. Perto dos 20km consegui afastar-me do José Sousa, acabando a prova com 1h05m25, batendo o meu recorde pessoal em 3m17.

Avelino Eusébio alcançou dois objetivos na Meia-maratona do Porto

Foi o melhor atleta nacional. Surpreso com o resultado?
Vim para esta prova com o principal objetivo de bater o meu recorde pessoal e, se possível, ser o melhor português, sabendo que, no ano anterior, o melhor atleta nacional tinha alcançado 1h07. Acreditei que podia fazer melhor… e fiz. Não podia estar mais feliz, já que consegui ambos os objetivos e acabei por fazer o melhor tempo nacional das últimas cinco edições.

A organização apresentou um pelotão realmente forte ou há mesmo essa diferença de ritmo para com o pelotão internacional?
Na Meia-maratona do Porto já é normal, todos os anos, a Runporto apresentar um grande lote de atletas africanos de enorme valor, já que objetivo é baixar da hora.

LEIA TAMBÉM
Melhor português na Meia-maratona do Porto esteve
muito próximo do futebol

No Mundial de Doha, que está a decorrer esta semana, não temos, por exemplo, nenhum maratonista masculino na competição. Como analisa esse facto? O que está “errado” na sua opinião?
Esta é uma boa pergunta, mas de difícil resposta. Para começar é um ano antes dos Jogos Olímpicos e muitos atletas já estão com o pensamento neles, sendo talvez o principal objetivo das suas carreiras. Depois, as condições em que acontecem, com altas temperaturas e humidade, deixam os atletas que nela participam num difícil estado físico e a precisarem de mais tempo de recuperação, pondo a temporada olímpica em risco.

Quais os próximos desafios?
O meu próximo desafio é a 27 de Outubro , a Maratona de Frankfurt. Faltam 5 semanas e espero não estragar o que fiz de bem nos últimos tempos. Esta é a fase mais importante da preparação, este é o objetivo final e mais importante.

1 COMENTÁRIO

Comments are closed.