O atleta Arsénio Santos dá mais valor a ter terminado o seu desafio pessoal, que foi correr as nove ilhas açorianas em nove dias, totalizando um totral de 745 km, do que ter ganho recentemente os 100 km das Linhas de Torres. 

Quantos quilómetros correu em cada ilha e os tempos?

  • Primeiro dia
    Ilha do Corvo, a chegada do avião, vindo de Ponta Delgada, foi às 13h05 e a corrida começou às 13h30. Os 25,4 km terminaram às 16h07 e o barco partiu do cais às 17 horas rumo à Ilha das Flores, onde chegou às 17h40. A 2.ª etapa, nas Flores, no mesmo dia, começou às 18h30 e os 72 km da volta às Flores terminaram às 3h20…
  • Segundo dia
    Começa com o embarque para a ilha do Faial no voo das 11h15, onde chegou às 12h05. A volta ao Faial, 59 km, começou às 17h e terminou às 00h20…
  • Terceiro dia
    Começa com o embarque às 7h00 no cais da Horta em direção a São Jorge, onde chega às 9h05. Mas depois há que se deslocar 50 km até à localidade chamada Topo, que é no extremo da ilha. Foi aí que começou a 3.ª etapa, com 103 km, às 12h, vindo a terminar à 1h50…
  • Quarto dia
    Começa no porto das Velas para o embarque no barco das 11h, rumo ao porto de Madalena, na ilha do Pico. Chegada às 11h45 e partida para os 106 km às 14h que termina às 3h45…
  • Quinto dia
    Começa com a ida para o aeroporto para voar até à ilha Terceira. Partida às 11h25 e chegada às Lages às 12h para começar mais 80 km às 14h, na Praia da Vitória, vindo a terminar às 23h20…
  • Sexto dia
    A mesma rotina, deitar tarde e levantar cedo, há que estar no aeroporto antes das 8h25 para o voo rumo à ilha Graciosa, que tem chegada às 8h55. Finalmente um pouco de mais tempo para repouso e, às 17h, começa os 36 km da volta à ilha e termina às 21h15…
  • Sétimo dia
    Costuma ser o dia do descanso, mas não. Há que estar antes das 12h para um duplo voo: Graciosa / Ponta Delgada / Santa Maria, com chegada às 19h15 e com começo dos 45 km da volta à ilha às 21h, terminando às 2h15…
  • Oitavo dia
    Regresso a Ponta Delgada no voo das 7h25, chegada às 7h55 e partida às 12h para a última volta, neste caso à ilha de São Miguel e também para os 217 km finais…
  • Nono dia
    Terminada a volta à ilha de São Miguel às 17H00 muito feliz, emocionado e com apenas 27 horas de sono.

A logística foi mais complicada do que correr? Por exemplo, os voos acabaram por ser um motivo de pressão, já que qualquer atraso na corrida poderia significar a perda dos voos?
A organização esteve a cargo de Ana Cristina Sousa, elemento da Associação Desportiva AGIR, que cuidou de toda a logística, organização e coordenação do evento em cada ilha. Também ela tinha a seu cargo informar-me se eu estava, ou não, a cumprir os tempos. Monitorizando os tempos de corrida garantimos que não chegávamos depois da hora programada a nenhum compromisso ou hora de voo.

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Este desafio foi o maior desafio do atleta Arsénio Santos?
Sem dúvida que foi o maior desafio da minha carreira, tanto a nível físico, mental e logístico. Abri um precedente para outros desafios porque fiquei com a noção que se conseguiu um grande feito. Açores fez história e eu ajudei.

O que a competição dá que estes tipos de desafios não dão? 
Neste caso, o desafio está na parte organizacional e correr em simultâneo. Houve situações em que estava a correr e recebia telefonemas de possíveis apoios para o dia a seguir ou mesmo para km a seguir.
Numa prova, como atletas, não sabemos o que se passa nos bastidores. Sem dúvida que ser apenas o atleta que vai à prova usufruir dos trilhos e do que a organização nos proporciona é muito mais fácil.

O que prefere o atleta Arsénio Santos: correr e vencer os 100 km das Linhas de Torres ou correr e terminar os 700 km das 9 ilhas?
Sem dúvida que foi correr e terminar os mais de 700 km das 9 ilhas.