Rui Martins regressou ao triatlo depois de dois anos tendo como meta o Campeonato Nacional de Longa Distância 2021, em Coimbra. A sua primeira prova competitiva aconteceu no recente Triatlo de Abrantes. Esta é a sua crónica. Hoje a sua preparação, na terça-feira a prova em si.

O triatlo sempre foi um objetivo que tive por atingir. Contudo, e com a dificuldade que acresce treinar as 3 modalidade e o custo avultado que se tem de fazer para nos iniciarmos, esse objetivo ficou sempre para segundo plano.

Tive experiências em provas abertas como os Sprints e Super Sprints de Oeiras. Mas, em 2017, tive a coragem de me lançar na primeira edição do Ironman 70.3, em Cascais. Treinei muito para fazer essa prova, procurei treinar com atletas mais experientes e tentei absorver todo o conhecimento e experiência que me transmitiam, atletas como o Deca Ultra Miguel Carneiro, Ricardo Lacerda, Capitão América (Miguel Pereira), José Pedro Canela, entre outros.

O meu material nessa prova foi todo emprestado pelo Miguel Carneiro, desde o fato até a bicicleta. Mesmo assim terminei com um tempo muito simpático, de 5h15, tempo que está dentro da média de atletas que fazem pela primeira vez esta distância, embora jamais em termos competitivos, já que a minha diferença de performance comparada com as dos outros atletas era muito grande.

Devido a ter de fazer esse investimento na altura, optei por desistir de continuar a modalidade, pois tinha outros objetivos pessoais que impediam esse mesmo investimento. 

O meu amigo Ricardo Lacerda, organizador do Multisport Coimbra, convidou-me entretanto para fazer a distância Full, ou seja, a distância Ironman (3,8 km de natação, 180 km de ciclismo e 42,195 km de corrida), concretamente o Campeonato Nacional de Longa Distância, em 2021. Claro que aceitei e, aos poucos, procuro tanto fazer o investimento em material como de treinos específicos para o desafio. No entanto, e também muito importante para o meu ingresso na modalidade de triatlo, foi o facto de fazer parte da futura Escola de Triatlo em Odivelas, um projeto no qual conheço muito bem, que é o Tritry da Federação Triatlo de Portugal.

Com isto, também terminei o curso de Treinador de Triatlo de Nível 1, com a orientação do estágio do treinador e responsável da seção de triatlo do Sport Lisboa e Benfica, João Mascarenhas.

Sendo responsável técnico do desporto da Associação Vale Grande, juntamente com a direção, decidimos abrir a seção competitiva de triatlo e assim fazer as provas federativas, visto que só os atletas federados podem participar nas provas devido as novas regras impostas pela federação e DGS.

Acabado de estar federado, começaram os treinos. O foco foi sem dúvida a natação, pois é o segmento mais fraco que tenho. Por isso pedi ajuda a amigos, como o  Humberto Batista, da Piscina Municipal de Odivelas, e o Paulo Monteiro, que me ajudaram a melhorar a técnica e a performance. A parte do ciclismo tive o apoio o meu colega de equipa Ricardo Castro, que também me ajudou nos meus treinos, mais na especialidade dele, que é o ciclismo.

Rui Martins trabalhou particularmente a natação no regresso aos treinos
Rui Martins trabalhou particularmente a natação no regresso aos treinos

Os meus treinos foram natação da parte da manhã e, ao final do dia, intercalei entre bicicleta e corrida. Muitos dos treinos também foram a base de duatlos, onde procurava fazer as transições e tentar ir buscar o sentimento de cansaço devido à mudanças de segmentos.

Basicamente foram treinos bidiários durante a semana. Aos sábados fazia triatlo com os 3 segmentos seguidos, como na prova, e, aos domingos, só bicicleta. O local da natação e dos treinos dos três segmentos foram sempre na praia de Caxias.