Rui Martins esteve em Abrantes naquele que foi o regresso do triatlo pós-confinamento. Evidentemente que a Covid-19 esteve presente neste regresso, como revela nesta crónica.

Tendo família na zona de Abrantes, fui dois dias antes da prova. Mal cheguei senti a diferença de temperatura, muito mais calor. A prova estava para iniciar se às 16h30. Na véspera olhei para o relógio à mesma hora e este marcavam 44 graus. Os nervos começaram logo a aparecer, algo que nunca tinha sentido…

No dia da prova estava nervoso por três razões: o calor, o facto de ser dos únicos a ser a primeira vez numa prova competitiva e com um nível muito alto e, obviamente, o problema da segurança em relação a Covid-19.

A federação teve um papel fundamental na minha inscrição. Antes de me inscrever li e reli as normas de segurança que a entidade estava a trabalhar para a prova poder ser realizada em segurança. E a verdade é que, de facto, senti-me seguro com algumas observações e, em termos gerais, considerei as normas muito competente.

A primeira abordagem que tivemos na prova foi o check in, onde fomos deixar a bicicleta e o material de corrida no parque de transição. Logo na primeira abordagem tivemos de estar sempre de máscara, onde fizemos a leitura da febre e tivemos de nos desinfetar. Ou seja, quem tivesse febre ou não se desinfetasse não entraria no parque de transição.

Chegada a hora da partida, esta era feita de 4 em 4 atletas, com 30 segundos de diferença entre cada partida. A realidade é que esse simples facto fez muita diferença para não haver muito ajuntamento. Onde houve mais aglomeramento foi na natação. Depois, os atletas foram se afastando…

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Na bicicleta não era permitido andar na roda e o distanciamento aumentou para o atleta da frente para os 10 metros. Já na corrida, como o leque de atletas estava muito aberto, não houve necessidade de regras muito específicas. Ao terminar a prova, mal passávamos o pórtico era dado uma máscara e água.

Onde acho que deviam ter trabalhado mais era no recinto fora da prova, pois tantos os atletas como os acompanhantes não estavam muito focados a usar a máscara. Todavia, sendo um espaço aberto e não estando no recinto da prova, e apesar da organização estar constantemente a avisar para usarem a máscara, não pode-se acarretar qualquer tipo de responsabilidade à federação (isto sou eu a falar…).

Em relação a minha prova, fui o último atleta a partir por opção. No entanto, consegui pela primeira vez ultrapassar muitos atletas enquanto nadei. Sempre treinei de fato, que a mim me ajuda muito. Contudo, a organização decidiu pelo calor proibir o fato em cima da hora. Se já tinha dificuldade em acompanhar na natação, imaginem sem fato e em água doce… Mas pronto, foram 800 metros com uma média de 2 minutos aos 100 metros, o que permitiu entrar bem na parte da transição.

Iniciei o percurso de 3 voltas de bicicleta, cerca de 19 km, onde tínhamos duas subidas de morte em cada volta. Devido ao calor e a água estar muito quente, senti muita dificuldade na primeira volta. O resto do circuito de bicicleta foi tentando recuperar para entrar bem na corrida.

A corrida foi no esforço devido ao calor. Mesmo assim, consegui andar na casa dos 4m00 ao quilómetro, ganhando algum tempo que tinha perdido na bicicleta.

No regresso ao triatlo, Rui Martins alcançou uma boa classificação
No regresso ao triatlo, Rui Martins alcançou uma boa classificação

Devido ao calor, a prova foi sofrida, embora muito prazerosa. Consegui um 16.º lugar no escalão M35 e fiquei no meio da tabela na classificação geral. Foi um bom ponto de partida para planear e trabalhar o Campeonato Nacional de Longa Distância 2021, em Coimbra.

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