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No passado fim-de-semana decorreu uma das provas de trail mais acarinhada pelos seus praticantes, os Trilhos do Paleozóico, que contou com nomes de peso da modalidade, inclusive a nível internacional. Aqui fica o relato do atleta Nélson Graça, que viveu momentos díspares na prova, entre a felicidade por estar entre os primeiros e a frustração dos objetivos perdidos devido a um aparatoso trambolhão. «As dores eram muitas e as marcas no corpo indicavam ter sido uma queda com alguma gravidade», recorda.

 

Foi nos Trilhos do Paleozóico 2014 que terminei a primeira prova de Trail com distância superior à da maratona. Na altura, com a companhia de dois grandes atletas e amigos que me ajudaram a terminar o percurso.

Por ser uma organização portuguesa de excelência, num local desafiante e talhado para o Trail, não podia, por esses motivos, deixar de estar presente na edição de 2015.

O meu objectivo para este ano, na distância de 48 km, passava simplesmente pela melhoria do tempo realizado em 2014, que tinha sido aproximadamente de 5h50. Sabia que estava fisicamente mais forte, embora com preparação para distâncias mais curtas.

No momento da partida, a minha mente aconselhava: “Começa com calma e segue sempre com o mesmo ritmo. Hidrata-te e alimenta-te nos momentos certos e tudo vai correr bem!” Recordo que, em 2014, o facto de ter começado com bastante calma na companhia do atleta Salomon Armando Teixeira, que seguia em ritmo de treino, fez com que fizéssemos uma prova de trás para a frente, sempre a alcançar atletas, com a famosa subida do “Elevador”, a tão temida “besta”, sendo a cereja no topo do bolo.

Às oito horas em ponto o amigo Moutinho deu a saída dos atletas da Ultra. Uma partida em ritmo relativamente calmo, sem os grandes despiques do ano anterior, com um grupo coeso e algo divertido até à primeira subida.

Os primeiros quilómetros foram feitos com o atleta e companheiro de equipa Luís Duarte, da RUN.PT, sempre com uma gestão de prova muito inteligente e paciente. Momentos houveram em que me senti bastante bem e cheguei a sentir a adrenalina de estar à frente de tantos atletas de enorme valia e capacidades, sabendo no entanto que poderia estar a desafiar os meus limites e que mais tarde pagaria a fatura… Mas não interessava, sentia-me demasiado bem e só queria desfrutar daquele momento, pois é isso que me faz correr e é isso que me motiva!

nelsongracaA poucos metros do segundo abastecimento, o grupo da frente descia a grande velocidade e, na tentativa de o acompanhar, caí no erro de subestimar a zona e acabei por dar uma queda algo aparatosa. Senti que tinha deitado a prova a perder, as dores eram muitas e as marcas no corpo indicavam ter sido uma queda com alguma gravidade. Inconscientemente decidi continuar e tentar alcançar o grupo da frente no abastecimento. Mas a partir daquele momento a prova foi um constante sofrimento, sendo muito difícil acompanhar os primeiros atletas. Resolvi abrandar e procuei apenas terminar a prova…
Ao longo do restante percurso, tudo foi um enorme desafio. Subidas inigualáveis, dores latejantes, trilhos fantásticos e muitos espectadores a apoiar. Relembro o começo da subida ao famoso “Elevador”, sabendo que lá em cima teria o Carlos Natividade a motivar os atletas que passavam. Pormenor por si só, tão simples, foi na verdade uma dose extra de motivação para quem ia esbaforido por ali afora.

O percurso coincidente com as provas de 23 km e da caminhada foi pouco agradável, tanto para mim como para os atletas que se viam obrigados a encostar para os mais rápidos passarem. Sei que, por vezes, fui algo impaciente e de poucas palavras de cedência de caminho, um grande pedido de desculpas e gratidão para todos aqueles com quem me cruzei, fizeram-me esquecer os momentos de solidão em que segui durante alguns quilómetros, dando forças para conseguir seguir a um ritmo mais forte.

Só de lamentar, e isto sim é bastante grave, terem desaparecido dezenas de fitas da marcação do percurso. Por maldade ou apenas desconhecimento, a verdade é que a equipa de batedores da organização não teve descanso na reposição das mesmas. Felizmente os atletas não foram prejudicados, mas fica o desabafo por saber que este tipo de situação cada vez é mais comum.

A todos que estiveram presentes, um obrigado por fazerem destes fins-de-semana momentos marcantes!

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