Pedro Cardoso correu recentemente a Maratona de Berlim, quando Kenenisa Bekele, por dois segundos, não igualou o recorde do mundo da distância, na posse de Eliud Kipchoge. Na sua segunda vez nos 42,195 km (a primeira terminou com o tempo de 4h24m17), o objetivo era apenas um: correr a prova em menos de 3h00. Será que conseguiu?

A minha primeira vez na Maratona aconteceu na Suíça, em 2017, concretamente na Jungfrau Marathon, quando corri os meus primeiros 42,195 km em 4h24m17.

Dois anos depois, decidi correr a Maratona de Berlim. A minha escolha não tem uma explicação lógica, foi uma decisão inesperada e tomada de forma rápida. A verdade é que todos os anos assistia a prova através da televisão e sempre me dizia que, um dia, eu seria um daqueles participantes. Foi o que aconteceu este ano…

A minha preparação específica para a Maratona de Berlim foi de quatro meses, quatro meses intensos com muitos treinos e quilómetros, com alguns altos e baixos, mas sempre com um foco na minha meta, que era correr a prova em menos de 3h00. Ou seja, menos 1h25 da minha primeira e única experiência na distância… Falei com o meu treinador e delineámos os treinos.

Pedro Cardoso em plena Maratona de Berlim
Pedro Cardoso em plena Maratona de Berlim

Evidentemente que tive de abdicar de muita coisa, como estar com os meus amigos, saídas e outras coisas, mas hoje, após a corrida, sei que valeu a pena todo o meu esforço. Treinar para uma Maratona não é definitivamente como treinar para uma prova de 5 ou 10 km, é realmente necessário muito sacrifício e dedicação.

Chegado o dia, na noite anterior da corrida não dormi muito bem, já que estava muito nervoso e cansado. Afinal, era a segunda Maratona da minha vida e, no dia seguinte, todos os meus últimos quatro meses estariam em xeque…

A importância do público na Maratona de Berlim

Comecei a corrida no bloco de partida 3h50-4h00. Fiz portanto uma prova de trás para a frente. Senti-me bem e, quando dei por mim, já estava nos últimos metros da prova. Muito dessa sensação deve-se ao ambiente que vivemos ao longo da corrida. O público é algo fantástico e temos muitas pessoas em todo o percurso, o que transforma por completo o ambiente da corrida.

Sinceramente, não há palavras para descrever o que vivemos antes, durante e depois da corrida, sempre com muita animação, logo nos blocos de saída, algo muito bom para aliviar a pressão. Mesmo ao longo da corrida, com as pessoas a gritarem o nosso nome, com bandas de música ao longo do percurso,… É realmente algo indescritível e que dá um boost na nossa performance.

A estratégia de Pedro Cardoso para a Maratona de Berlim

Sobre a estratégia que planeei com o meu treinador para a corrida, basicamente foi não fugir do foco que delineámos nos 4 meses anteriores dos treinos. Um deles, e talvez o principal, foi começar a prova a um ritmo de 4m14/km, mantendo esse pace até aos 30 quilómetros. Dependendo da reação do meu corpo, tinha depois de atacar o relógio, já que o grande objetivo era terminar a corrida em menos de 3h00.

E a verdade é que consegui. O meu tempo final foi de 2h59m59, ou seja, na minha segunda Maratona, já sou Sub-3h00.

A medalha que Pedro Cardoso ganhou após concluir a Maratona de Berlim
A medalha que Pedro Cardoso ganhou após concluir a Maratona de Berlim

Evidentemente que senti uma enorme felicidade por ter alcançado o meu objetivo em Berlim, uma cidade fantástica. É definitivamente uma corrida diferenciada, com um grande ambiente, com muitas pessoas do início ao fim, seja com chuva ou Sol. Sempre há alguém a apoiar, algo realmente impressionante, impulsionador e motivador.

Passado alguns dias após a Maratona, ainda não acredito que terminei a prova com o tempo que alcancei. Parece um sonho que estou a viver e confesso que ainda hoje sinto uma enorme felicidade por tudo o que vivi em Berlim…

1 COMENTÁRIO

Comments are closed.