Avelino Eusébio, de 28 anos, foi o melhor português da recente Meia-maratona do Porto, um resultado que fez com que o atleta do GFD Running olhasse para o seu passado, quando o futebol esteve muito próximo de ganhar um jogador. No entanto, uma pessoa foi fundamental para trazer o corredor de volta ao Atletismo, que agora brilhou nas ruas nortenhas com o seu melhor tempo na distância, 1h05m25…

Comecei a praticar Atletismo aos 6 anos, participando em provas de pinguins no Plano de Promoção de Atletismo que se realizavam na Póvoa de Varzim. Era um campeonato que passava pelas várias freguesias da cidade, com 4 provas de estrada, 4 de corta-mato e 4 de pista, com saltos, velocidade e lançamentos. Todos os meus irmãos corriam e eu queria imitá-los, tentava ser melhor do que eles.

Corri até aos meus 9/10 anos, altura em que comecei a jogar futebol. Procurei conciliar as duas modalidades, representando na altura clubes da minha freguesia, o Grupo Cultural e Recreativo Aguçadourense e o Aguçadoura Futebol Clube.

O jovem Avelino Eusébio
O jovem Avelino Eusébio

No meu segundo ano de iniciado, o futebol começou a ser a minha modalidade preferencial, chegando assim às camadas de formação do Varzim Sport Clube, onde joguei nos campeonatos nacionais de iniciado, juvenil e júnior, permanecendo 4 anos no clube. No último ano de júnior joguei no Castelo da Maia, da I Divisão distrital.

Durante estes anos, a responsável pelo GCR Aguçadourense, Patrícia Rosa, nunca deixou de me inscrever no Plano de Promoção de Atletismo, o que levou a que eu nunca abandonasse em definitivo a modalidade.

No meu último ano de júnior, e ainda a jogar futebol, corri a Meia-maratona da Póvoa de Varzim, com o tempo aproximado de 1h27, usando sapatilhas de futebol de salão. Superei o recorde da família (ainda ninguém tinha corrido abaixo de 1h30), mas também ganhei dores em músculos que nem sabia que existiam…

Isto voltou a trazer o “bichinho” do Atletismo. Todavia, como nunca deixo os meus compromissos a meio, e esta Meia-maratona foi em março, acabei a época de futebol em maio e tomei a decisão de abandonar o futebol e regressar ao Atletismo.

Avelino Eusébio encontra-se com o Atletismo

Ingressei no Clube Desportivo da Póvoa, começando por fazer provas de pista (1500, 3000 e 5000 metros) e provas de estrada de várias distâncias. Nessa altura comecei a ser treinado pela Fátima Silva, várias vezes atleta internacional com participação em Campeonatos da Europa e do Mundo, com um brilhante tempo de 2h32 na Maratona.

Uma das corridas que mais me marcou na ocasião foi uma prova de preparação para os 5000 metros, que decorreu na pista da Maia e que teve como o melhor júnior José Pedro Costa, que era do meu escalão. Ele realizou a mesma em 14 minutos e pouco, deve-me ter dado quase duas voltas de avanço (creio que fiz a prova em 16m40). Habituado no mínimo a fazer pódio nessas provas a nível do concelho, o choque foi grande.

Comecei então a ter noção do que era o Atletismo a nível federado e a diferença de qualidade para o nível popular em que eu sempre tinha corrido. E a verdade é que a diferença era realmente muito grande.

A partir daqui percebi que, para evoluir, tinha de treinar muito mais. No início da época seguinte já estava a pedir para fazer treinos bi-diários, aumentando gradualmente o volume.

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Entretanto, acabei o ensino secundário e optei por não ingressar na faculdade. Acabei por trabalhar, ajudando os meus pais, que são agricultores, até conseguir arranjar um trabalho numa empresa de estruturas metálicas. Trabalhava das 8h30 às 18h00, dando-me a possibilidade para fazer bi-diários e assim poder continuar a minha evolução.

Tomei depois noção de que a vida realmente não é fácil e decidi voltar a estudar em pós-laboral para tentar melhorar a minha vida e ter mais estabilidade no futuro. Fiquei com menos tempo para treinar e a minha evolução estagnou. Trabalhar e estudar ao mesmo tempo não é fácil e os meus treinos passaram a ser quase só manutenção.

Entretanto, a empresa onde trabalhava entrou em dificuldades e fui despedido, passando só a treinar e a estudar e, sempre que possível, a ajudar os meus pais na agricultura.

Por esta altura mudei de treinador, passando a ser orientado pelo professor João Campos e com um dos melhores grupos de treino do país, do qual faziam parte atletas como o Rui Pedro Silva a Jéssica Augusto, o Bruno Albuquerque, a Mónica Silva, entre outros jovens que, como eu, tinham imensa vontade de evoluir.

Mudei também de clube, representando o Atlético Clube da Póvoa. Até que mude-me para Lisboa e, em setembro de 2014, acabei a Licenciatura em Contabilidade e Administração.

Avelino Eusébio
Avelino Eusébio

Em 2015 alcancei o meu melhor início de época, superando os meus recordes aos 10 km (30m53) e na Meia-maratona (1h08m42). Em Maio de 2015, quando pensava que teria uma boa época de Verão, entrei no curso de Agentes da Polícia de Segurança Pública.

Os três anos seguintes foram passados com inúmeras mudanças e adaptações, estagnando novamente a minha evolução. Fui entretanto destacado para Lisboa, mudando-me assim de malas e bagagens para a capital.

A importância do GFD Running

Fui representar o GFD Running, uma estrutura liderada pelo “Boss” Ernesto Ferreira, que permitiu utilizar todas as valências do clube, como a fisioterapia, osteopatia, consultas de nutrição, massagens, etc., ajudando-me assim a manter-me saudável e a ter consistência nos treinos, fatores fundamentais para ambicionarmos a nossa evolução.

Comecei a treinar com o professor António Sousa (2h13m na Maratona e mais km percorridos em alcatrão do que muitos carros), que tem-me ajudado com a sua experiência e com os seus conselhos, certamente fundamentais para a obtenção do resultado agora alcançado na Meia-maratona do Porto, o meu melhor tempo pessoal.

Neste depoimento, gostaria de aproveitar esta oportunidade para agradecer aos treinadores que me ajudaram neste meu ainda curto trajeto no Atletismo e a todos os clubes e estruturas que ajudaram no meu crescimento como atleta e como homem.

Agradecer também a toda a estrutura e equipa do GFD Running e a todos os elementos da clínica pela ajuda e o apoio que me têm prestado.

Agradecer também a minha namorada Nilza Sousa, por toda ajuda que me dá. Mesmo nunca tendo passado pela cabeça em desistir, de certeza que ela não mo deixaria fazer…

FOTO: RUN 4 FFWPU