A brasileira Luciene Cury, professora de Educação Física, correu pela primeira vez a Maratona de Nova Iorque, mas correu a sua terceira Major, evento que reúne as 6 maiores Maratonas do mundo. Aqui fica a crónica (em português do Brasil) da 10.ª Maratona da sua carreira.

Uma foto me fez desejar correr a Maratona de Berlim. Uma mulher, com uma passada espetacular, atravessava o Portão de Brandemburgo no final da maratona. Fui pesquisar sobre a prova e descobri que ela fazia parte das seis maiores maratonas do mundo, as Majors!

Virou meu objeto de desejo, mas tinha um problema: apesar de ser profissional de educação física, nunca tinha feito nem uma prova de 5 km, nunca tinha viajado para fora do país e Berlim, para você participar, tinha de ser por sorteio ou pagar uma agência de turismo, o que seria na época impossível.

A Maratona de Nova Iorque foi a terceira Major de Luciene Cury
A Maratona de Nova Iorque foi a terceira Major de Luciene Cury

Comecei minha paixão por corrida de rua em 2009, então com 44 anos (a foto vi em 2006). De lá para cá, foram várias provas de 5 e 10 km, incontáveis de 21 km e agora, no passado dia  de novembro, finalizei a minha 10.ª maratona, a de Nova Iorque, a minha 3ª Major!

Quando lembro da foto e vejo minha medalha, nem acredito que um dia pensei que seria impossível! As outras duas Majors, Berlim e Chicago, consegui por sorteio, mas Nova Iorque fui por agência, pois aproveitei que duas amigas foram fazer a prova e seria melhor ir acompanhada.

Alguns dos brasileiros que correram a Maratona de Nova Iorque

As Majors, caso não saibam são as seguintes: Berlim, Chicago, Boston, Nova Iorque, Londres e Tóquio. No final, se correr as seis, você recebe uma medalha especial com todas as Majors!

A cidade de Nova Iorque surpreendeu a até então descrédita Luciene Cury

Sobre Nova Iorque, a princípio a cidade me ganhou! Não sou cosmopolita a ponto de amar cidades grandes. Tinha resistência em conhecer a cidade e sempre falei que seria a última cidade do mundo que conheceria. E agora já quero voltar… Que energia esse lugar tem!

Em relação a prova, impecável, como todas as Majors. Desde a Expo, com a entrega de kits, até ao momento em que você pega a medalha, para mim foi tudo perfeito, levando em consideração que é uma prova com 50 mil participantes.

Os ônibus que nos levam até a largada, na Ponte Verrazziano-Narrows, são organizados de uma maneira ímpar. Sem tumultos ou atraso de horários. Largada por ondas no início da ponte, com tiros de canhão, ao som de “New York, New York”, na voz de Frank Sinatra… É emoção a parte.

De lá até a chegada, os moradores da cidade dão um show de incentivo e solidariedade, em todo trajeto. Em nenhum momento corremos sozinhos. Para mim, a chegada em Manhattan, depois de passar por 4 distritos da cidade, foi a mais emocionante. As pessoas gritavam como se estivessem na arquibancada de um estádio olímpico! A emoção toma conta de nossos corações! Nos sentimos importantes para eles e isso é visto quando você acaba a prova e volta para o hotel com a medalha no peito. Muitas pessoas vêm até você para dar os parabéns!

No dia seguinte, sair com a medalha no peito é um convite a receber “congratulations” de todas as pessoas que encontra nas ruas.

Tchim-tchim, Maratona de Mova Iorque
Tchim-tchim, Maratona de Mova Iorque

Para mim ainda faltam mais três Majors que tentarei fazer antes de completar 60 anos. Uma vez eu li uma frase que sempre falo quando acabo uma prova. Não sei o autor, mas ela diz assim:

«SE VOCÊ SÓ TEM UMA VIDA….CORRA!»