Nuno Miguel Ferreira

Catorze semanas depois de ter dado início à preparação para a realização de um sonho, Nuno viaja, finalmente, rumo à última etapa do seu objectivo: Berlim e a sua Maratona. Uma viagem marcada pela ansiedade, mas também pelo desafio fixado a poucas horas do tiro de partida – apesar de lesionado e nunca ter corrido a distância, Nuno ia tentar uma marca a rondar as 3 horas!….

Cumprida uma preparação a que não faltou sequer a contrariedade das lesões, chegou o momento de Nuno Miguel Ferreira, jornalista do Record que decidiu estrear-se nos 42,195 km fazendo a icónica Maratona de Berlim, apanhar o avião para a capital da Alemanha e dar continuidade ao seu sonho. Embora tendo igualmente a ansiedade, além de algum receio pelo tendão de Aquiles, como companheiros…

A viagem para Berlim

Nada mais interessava. Ambiente incrível no avião, com os ténis e os relógios a denunciarem uma imensidão de corredores, atmosfera inspiradora em Berlim onde tudo evocava a Maratona de Berlim.

Depois de comermos alguma coisa e deixarmos as coisas no hotel, fomos levantar o dorsal e ver a exposição. Lá chegados, centenas e centenas de pessoas de todo o Mundo.

Comprámos o último gel de uma conhecida marca (100 gramas de cafeína, o vulgo ‘levanta mortos’), as pulseiras com os tempos de passagem para vários objetivos e experimentámos alguns ténis.

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Ao cair da noite, regresso ao hotel e jantar, massa claro. No sábado, véspera da prova, fizemos um treino matinal muito ligeiro (uns 6km) a ritmo de passeio e lá tirámos fotos nas Portas de Brandemburgo. Finalmente estava no local cuja fotografia estava no ambiente de trabalho do meu computador desde dezembro.

Dada uma volta de reconhecimento ao local de partida, voltámos ao hotel e a chuva começou a cair. Depois do almoço, massa claro, excursão à loja de uma conhecida marca de ténis e não resisti. Apesar de ter comprado um par na semana anterior, comprei outro par melhor (foi só para aproveitar os 30% de desconto, caramba). Comprei também uma meia elástica para proteger o Aquiles, um spray de gelo e meti muita pomada. Experimentei tudo no sábado para não haver surpresas no grande dia.

Mapa Maratona de Berlim 2019
Disputada num trajecto praticamente plano, a Maratona de Berlim tem nas Portas de Brandemburgo um local de passagem icónico

Do sonho à ansiedade

Depois do jantar, massa claro, fomos para os quartos preparar tudo para o dia seguinte. A ansiedade crescia, tal como o receio de o Aquiles ceder e deitar tudo a perder… o olhar do Pedro Favinha, o meu colega de quarto, quando viu a batata no tendão dizia tudo.

Falei com a minha filha, com a minha mãe, o treinador fez uma video-chamada para desejar boa sorte, troquei mensagens com o meu fisioterapeuta que só me disse: “Estarei a acompanhar a tua prova e não faças asneira.”

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Vi entretanto uma recordação do Facebook a dar conta que há três anos tinha recebido alta da operação ao menisco do joelho direito. Recordar esses tempos mais complicados deu-me ainda mais força! Faltava definir uma meta em termos de tempo final, o que ficou decidido após a última conversa da noite, que só podia mesmo ser com a Mariana. Ia tentar baixar das 3h10m!

O grande dia da Maratona de Berlim

Finalmente, o grande dia. Saltei da cama às 6h30 para vestir o equipamento previamente preparado e ir tomar um pequeno almoço reforçado. O hotel estava repleto de corredores de todos os cantos do planeta, desde brasileiros, japoneses, quenianos, australianos, e claro, o grupo de portugueses.

Às 7h30 toca a sair em direção à partida. A ansiedade e adrenalina começavam a subir. Por volta das 8h30 já tinha deixado o saco com roupa seca para trocar no final e era altura de aquecer. “Aquecer para uma maratona? Tem de ser mesmo uma coisa leve”, disse para o pessoal bem mais experiente do que eu nestas andanças. Por volta das 9h era altura de irmos para os respetivos blocos de partida. Abraços, beijinhos e votos de boa sorte.

Agora era cada um por si pois até parti do bloco C sem ninguém conhecido…