O que significou a Maratona das Areias para Tiago Leal? Neste último dia do seu relato, o português faz um pequeno resumo do que viveu na prova, além dos seus erros e acertos.

ATMOSFERA
A Marathon the Sables não se explica, sente-se. A atmosfera que se viveu na tenda 9 (tenda onde eu e outro português, Pedro Batista, ficamos alojados) foi espetacular. Ficámos com seis espanhóis espetaculares, em que fomos uma família unida entre os dias 5 e 13 de abril, morando os oito numa tenda aberta, nos ajudando nos momentos menos bons, segurando a tenda a noite durante as tempestades de areia, sabendo a partir do segundo dia a melhor forma de segurar e fechar a tenda para sobreviver às noites estreladas e com ventos fortes de areia… Fartamos de rir e compartilhar histórias, ajudámos com comida uma atleta sueca que calculou mal a refeição que haveria de trazer para a Sables, etc. Foi uma tenda 9 de PURA AMIZADE.

ACERTOS E ERROS NA MINHA PARTICIPAÇÃO
Os acertos foram mais do que os erros, como a mochila superconfortável e com um peso de 8 kg nas verificações de material (os meus amigos ficaram surpresos com o peso da minha mochila, sendo que quase todos eles tinham 11 kg para cima). Cortei em muitas coisas para não levar um peso muito elevado.
A escolha da comida foi acertadíssima: pequenos-almoços de granola e Cerelac com água fria, Race Fuel com bastante Tailwind e clif bars; recuperação com Tailwind Recovery, frutos secos e beef jerky; e, ao jantar, Expedition Food 1000kcal. Resultou tudo na perfeição.
Roupa igual, sendo que cometi um erro ao não levar uns “leggings” para as noites frias do deserto. Tive a sorte de um amigo irlandês ir meter umas calças de pijama para o lixo no dia do encontro e aproveitei, calças que me fizeram um grande jeito.

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Um erro que cometi em favor do peso da mochila foi não trazer colchão e levar um “quadradinho” de esponja para dormir. Durante as noites sofri muito para dormir, sendo que a minha almofada insuflável rompeu ao segundo dia. Ou seja, as noites foram uma tortura para descansar, muito desconfortáveis. Outro erro de material foram as célebres meias dos dedos, que, definitivamente, não são para os meus pés.
Mas, de uma forma global, a escolha do material e comida foi um sucesso.

RESUMO
Foi uma aventura mágica que vai ficar para sempre nas minhas recordações e coração. ADOREI cada minuto em Marrocos. Ficam na memória vários momentos, como ter corrido em aldeias no meio do deserto, as crianças a correr ao nosso lado a pedirem um “da cá cinco”, as noites estreladas no deserto (o céu mais bonito que vi até hoje), o pôr-do-sol, a camaradagem e entreajuda dos atletas (uma convivência realmente muito especial), a música Highway to Hell, dos AC/DC, antes de cada etapa com helicópteros a passarem sobre as nossas cabeças, a alegria e ânimo dos voluntários para connosco,… Tudo foi realmente algo muito especial e mágico.

Não posso deixar de referir que esta aventura só foi possível devido a empresa PECOL DE ÁGUEDA, que ajuda e acredita nos atletas/pessoas da cidade. Um muito obrigado pelo suporte e sponsor.
O futuro? Quem sabe a Coastal Challenge, na Costa Rica, prova com o mesmo formato da Marathon the Sables. Quem sabe…