Hugo Falcão, responsável pelo projeto Obesidade Zero, admite que nunca foi de treinar muito, mas com os objetivos propostos e ultrapassados, os treinos acabaram por virar uma rotina e foram cruciais para se sentir orgulhoso de si próprio nessa caminhada entre os 123,5 kg e os 81 kg nas provas de estrada.

Quando começou a correr, que tipo de treinos fazia? Com que frequência?
Nunca fui uma pessoa de treinar muito.
Após ter concluído a minha primeira prova de estrada nos 10 km, eu só pensava em correr mais, aumentar para provas de 15 km e Meias-maratonas, sem nunca ter a Maratona em pensamento.
Muitas vezes sentia que se corresse muito durante a semana, quando chegasse à altura da prova já não teria resistência suficiente para chegar à meta.
Por isso, houve alturas em que apenas corria nos dias de prova e durante a semana fazia treino no ginásio de reforço muscular.

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Que objetivos o Hugo Falcão tinha ou ainda tem nas provas de estrada?
Penso que os objetivos que tinha foram todos ultrapassados.
Concluí provas de 10 km, 15 km, Meias-maratonas e, em 2019, atrevi-me ao maior e mais longo desafio que podia existir na minha vida e tornei-me maratonista, terminando a Maratona do Porto.
Os objetivos futuros são impostos a mim mesmo todos os meses.

Hoje em dia, quantos quilómetros faz e com que frequência treina?
Neste ano de 2021 impus desafios a mim mesmo logo no início do ano.
Em janeiro queria percorrer 300 km de corrida. Não só o concluí com sucesso como ultrapassei – 331 km. Em fevereiro, e mesmo sendo o mês menor do ano, atrevi-me a chegar aos 400 km e concluí.
Nestes desafios a frequência de treino aumenta e as distâncias também aumentam, mas diria que, em circunstâncias normais, sou capaz de treinar em média 60/70 quilómetros por semana, dependendo do objetivo do mês ou se existem provas virtuais para fazer.

A pandemia interferiu na sua vida e na corrida?
Felizmente, a pandemia não interferiu com a minha vida pessoal. Estive em teletrabalho em março, abril e maio de 2020, voltei ao meu local de trabalho depois disso e só agora, nesta terceira vaga da pandemia, é que voltei novamente ao teletrabalho.
Na corrida, fruto dos diversos confinamentos, a altura em que se deu o primeiro havia muito receio quanto à pandemia, as pessoas passaram a resguardar-se mais e eu não fui exceção.
Houve uma primeira altura em que não treinava, já que todas as provas de estrada iam sendo canceladas, umas atrás das outras. Depois comecei a treinar de longe a longe e mais tarde, por alturas da segunda vaga, regressei de uma forma regular.
Mas penso que isto tenha afetado de uma forma geral todos aqueles que estavam habituados a correr na rua e a planear os seus treinos.

O que sentiu o Hugo Falcão ao percorrer todas as etapas de provas de estrada e tendo concluído a Maratona?
Cada prova para representa uma conquista especial. E a medalha de finisher para é como se fosse uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos.
Existem pessoas que não sabem o que a corrida lhes pode dar.
Existem pessoas que sabem o que a corrida lhes dá, mas não dão valor.
E existem as pessoas que sabem o que a corrida lhes dá, que dão valor a todos os momentos, que se superam e que têm uma história de vida que lhes permite tirar as melhores sensações ao chegar ao fim de uma prova. Percorrer todas as etapas das provas de estrada, vindo dos 123,5 kg, e chegar onde cheguei só me poderia deixar imensamente feliz e orgulhoso.

Que conselho daria a quem pretende livrar-se desse excesso de peso e fazer da corrida parte da sua vida?
Penso que uma coisa acaba por estar implícita na outra.
Se por um lado podemos utilizar a corrida como um meio para nos livrarmos desse excesso de peso, retirarmos esse excesso vai permitir que consigamos chegar a melhores desempenhos na corrida.
Por tudo isso, o melhor conselho que eu posso dar é que as pessoas tenham a noção que tudo depende da nossa cabeça, do nosso foco e da forma como nos comprometemos com algo. Nada aparece nas nossas vidas por acaso. E, quando aparecem estas barreiras, são para que lidemos com elas e que façamos tudo para as ultrapassar.