Uma semana depois de concluída a sexta edição do Portugal 281+ Ultramarathon, Carla André, 27.ª classificada na prova, aceitou recordar, ao longo desta semana, a experiência que foi também a realização de um sonho. Porque, como a própria faz questão de salientar, «o mundo está fechado, vivemos tempos de incerteza e medo, mas os sonhos não podem morrer!». Aqui começa o seu contributo para que estes não deixem de viver para sempre…

O mundo está fechado, vivemos tempos de incerteza e medo, mas os sonhos não podem morrer! Em março, de malas prontas para mais uma fascinante aventura, desta vez para percorrer 250 km pela selva no Sri Lanka, veio a triste notícia: prova cancelada, voos cancelados. A vida ensinou-me que o ingrediente mais importante para sermos felizes é aceitar tudo, o bom e o mau que a vida nos faz cruzar pelo caminho. Aceitar o menos bom e agradecer o bom! E assim fiz: aceitei que estaríamos a viver tempos novos e que não teria sido seguro, de forma alguma, o embarque para este sonho. Mas um coração carregado de sonhos não se fecha ao mundo e permanece sempre acordado, em busca de emoções, travessias, vivências.

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E, num belo dia, como que um raio de sol que se atravessou pela minha vista, a PT281+ começou a aparecer no meu horizonte. Há muito que está na lista dos meus sonhos, mas o deserto atravessava-se sempre pelo meio e nunca consegui conciliar os sonhos. Começou a existir a possibilidade de a mesma se realizar e a ideia começou a ficar cada vez mais cimentada no meu ser, no meu desejo.

Pouco mais de um mês da data da prova, já estava inscrita. Alinhei os treinos e comecei a desenhar a logística num lindo ficheiro de Excel. A logística das provas é o que mais me fascina, representam um esboço dos sonhos!

O muito desejado dorsal para o Portugal 281+ Ultramarathon, com o número e o nome: Carla André
O muito desejado dorsal para o Portugal 281+ Ultramarathon, com o número – 213 – e o nome – Carla André

Algumas visitas em treino ao local do crime, uma das quais muito marcante de 100 km a solo pelo conhecido Vale da Morte, fizeram-me sentir na pele o que iriam ser os 281 km. E a paixão pela prova começou a ficar cada vez mais assolapada! Que viagem iria ser, pela linda Beira Baixa, terra das minhas gentes, das minhas origens! Viajar por ali faria sentir-me em casa. Os meus pais são de Vila de Rei, a uns passos da meta.

Pedi alguns conselhos técnicos a amigos que já a concluíram a PT281+. Os amigos são a nossa maior inspiração porque são seres de carne e osso como nós e que já carregam sonhos no coração. Penso sempre que, se eles sonharam e conseguiram, eu também vou conseguir, resta-me lutar e sonhar muito! Portanto, obrigado Arsénio pelo conselho de apenas levar o relógio como GPS, foi a melhor decisão de todas! Algo a menos que iria levar na mão, apenas tive de garantir o carregamento a meio! Foi mesmo perfeito!!!

[CONTINUA NA TERÇA-FEIRA…]