Tony Chu revela a sua ira

Uma das séries de banda desenhada mais invulgares dos últimos anos, muito devido a mente criativa de John Layman, secundado com brio pelas ilustrações de Rob Guillory, o sétimo de 12 volumes de Tony Chu, «Maçãs Podres», foi editado recentemente pela G Floy.

 

Vencedora de dois Prémios Eisner e dois Prémios Harvey, “Tony Chu: Detective Canibal” continua a surpreender. No presente volume vamos descobrir uma faceta “escondida” de Chu, um cibopata que «consegue obter sensações psíquicas do passado daquilo que morde ou ingere». Tudo devido a morte da sua irmã gémea, Toni (acontecimento que aconteceu no volume 6). Ou seja, vingança e ira são duas palavras marcantes na história, o que faz com que o leitor descubra um “outro Eu” de Chu.

Como aconteceu anteriormente, mais uma vez John Layman consegue mexer com mestria a sua “panela”, fazendo com que o leitor jamais esgote a sua paciência com os arcos desta peculiar história. Estamos perante uma banda desenhada de uma riqueza ímpar, fruto das suas constantes reviravoltas e personagens, cada um mais peculiar que o outro. A ligar todo esse “caos”, a ironia, presente quase em todas as páginas, sejam nos diálogos como nas ilustrações de Rob Guillory, que exigem a máxima atenção do leitor, já que é normal temos referências singulares nos desenhos, referências que provocam de imediato o riso.

Chu regressa à FDA

O que impressiona em «Maçãs Podres», como aliás aconteceu nos anteriores volumes, é o ritmo impresso por Layman. Não há descanso para os seus personagens, sejam eles principais ou secundários. As ações e iniciativas sucedem-se a um ritmo frenético, o que significa que o leitor dificilmente conseguirá largar a banda desenhada antes do seu final. Através de um jogo narrativo entre o presente e o passado, o argumentista consegue desfazer todos os nós da história, ao mesmo tempo que introduz novos dados que certamente serão explorados no futuro.

Por exemplo, neste volume, Layman apresenta logo nas primeiras páginas toda a família de Chu, um manancial de histórias que o leitor fica com ansiedade de conhecer. Ao mesmo tempo, é convidado a descobrir o lado mais obscuro de Chu, despertado pela morte da sua irmã. Antes um ser passivo, o detective canibal mostra a sua verdadeira personalidade, desconhecida por todos. Ainda neste volume, e para felicidade dos leitores, Tony e o seu parceiro John Colby (atenção ao desejos que ele provoca) regressam à FDA, o que permite a introdução de novos casos insólitos na história, sem deixar de tocar no eixo central de todo o argumento, que provavelmente terminará no confronto entre Chu e o Vampiro.

Ou seja, «Maçã Podre» é mais um enorme título de “Tony Chu: Detective Privado”, uma banda desenhada que tem o dom de contarmos os dias para o lançamento dos próximos volumes. Entretenimento puro. Que venha 2018…

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Pedro Alves

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