A angústia de Thor nos últimos dias da Terra

«Thor: Os Últimos Dias de Midgard», saga auto-conclusiva do Deus do Trovão e com ilustrações de Esad Ribic, comprova a mestria de um dos principais argumentistas do presente na banda desenhada: Jason Aaron. Editado pela G. Floy, uma BD obrigatória, de uma atualidade gritante.

 

Não há limites para a criatividade de Aaron, como podemos comprovar em pleno em «Thor: Os Últimos Dias de Midgard». Aliás, este volume encerra uma das melhores fases do Deus do Trovão (alguns defendem que é inclusive superior a fase da lenda Walt Simonson…), que serviu de prelúdio para o relançamento que Aaron fez na saga She-Thor.

Neste volume, Aaron aborda para um dos principais problemas da Humanidade da atualidade: o Meio-Ambiente. O vilão da vez é o CEO Dario Agger (“O Minotauro”), da multinacional Roxxon, que não olha a meios para alcançar o seu lucro, nem que isso signifique terminar com todos os recursos da Terra. Para impedir o seu ímpeto, temos a agente S.H.I.E.L.D. Roz Solomon, supostamente a nova namorada de Thor, que defronta um adversário diferente de tudo o que já combateu, pois, em vez da força, Agger recorre aos tribunais, ou seja, a lei dos Homens, muitas vezes incompreensível para os Deuses…

Mas esse combate sem tréguas é no presente, já que, no futuro, Aaron apresenta uma Terra devastada, com um já veterano Thor, junto com as suas três netas, a lamentar o que aconteceu com Midgard (jamais explicado, mas implicitamente entendido, numa mensagem ambiental maravilhosa de Aaron). Midgard que está prestes a ser consumida por Galactus, o devorador de Mundos, com quem o Deus do Trovão trava uma batalha épica. Mesmo sem vida e dizimada, Thor não consegue se separar da Terra…

O ritmo impresso por Aaron deve ser destacado com louvor, assim como a sua gestão temporal. Entre o presente e o futuro, o argumentista consegue em pleno ligar todos os pontos, mudando de histórias sem jamais perder o nexo das duas linhas narrativas, algo sempre complicado de se concretizar. Secundado pelo excelente trabalho de Esad Ribic, que apresenta também ele duas visões gráficas bastante distintas de acordo com as duas passagens temporais, Aaron constrói uma banda desenhada subliminar, principalmente devido a sua mensagem, uma mensagem que deve ser olhada com urgência por tudo e todos. É realmente impossível não compartilharmos a dor de Thor no futuro, a sua enorme angústia pelo traumático desfecho da Terra, a sua solidão no nosso planeta, totalmente devastado de vida.

Nota também para a inclusão de uma história extra, onde é desvendado, por exemplo, a origem de Malekith. Oportunidade para conhecermos os trabalhos dos ilustradores Augustin Alessio, R.M Guéra e Simon Bisley, bastante díspares entre eles.

Leia mais resenhas de bandas desenhadas publicadas pela G. Floy aqui

Gostaste do artigo? Faz Gosto ou Partilha com os teus amigos!
Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

Gostou? Partilhe pelos amigos