Southern Bastards, a BD do momento

Uma das bandas desenhadas do momento é Southern Bastards, de Jason Aaron e Jason Latour, que a G. Floy está a editar entre nós. No mercado já está disponível o volume 3, «Regressos».

 

Após o brutal assassinato de Earl Tubb sob as ordens do treinador de futebol americano Euless Boss, o coordenador defensivo Big não consegue mais trabalhar ao seu lado e escolhe o suicídio como saída, precisamente na semana mais importante dos Rebs, quando defronta, perante os seus adeptos, a rival Wetumpka. Sem a sua referência estratégica para montar a linha defensiva, Boss vê o seu mundo desmoronar, não só em campo, mas também fora dele, já que, aos poucos, os seus desafetos começam a surgir. E a verdade é que são muitos…

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O suicídio de Big marca o novo volume de Southern Bastards

«Regressos» comprova mais uma vez a grandeza do texto de Jason Aaron e da ilustração de Jason Latour. Vencedora do Prémio Harvey para Melhor Nova Série e dois Prémios Eisner para Melhor Série em Continuação e Melhor Escritor, este novo título aumenta ainda mais a expetativa ao seu redor, fruto das personagens apresentadas ao longo do livro. Deste modo, a riqueza da história apenas aumenta. Quando pensávamos que todo o drama da série estaria centrado no duelo entre a filha de Tubb e Boss, a verdade é que há ainda um mundo por explorar, já que Jason Aaron e Jason Latour exploram ainda mais os personagens de Craw County, todos ligados ao treinador de futebol americano.

 

Todos aguardam o duelo de Tubb e Boss em Southern Bastards

 

O xerife, a mulher do mayor, o caçador, o desconhecido jovem, a loucura violenta de Esaw Goings… São várias as portas abertas por Aaron, que comprova todo o seu talento, “obrigando” o leitor a estar preso ao singular mundo de Craw County, uma cidade marcada pela violência, talvez a melhor palavra para definir esta coleção. A partir deste volume, o interesse dos leitores aumenta exponencialmente, fruto da riqueza dos novos personagens, como o caçador Boone, pastor que faz justiça com as próprias mãos, no caso com um arco e flecha.

Ou seja, as portas estão abertas, escancaradas, e o que é desesperante é termos de esperar pela edição do volume 4. Apesar de todos esperarem o confronto entre Tubb e Boss, agora há outras linhas argumentativas tão ou mais interessantes que o eixo central da BD. A verdade é que Jason Aaron e Jason Latour conseguiram colocar mais “pimenta” na história e podem secundarizar teoricamente o encontro entre estes dois personagens. Agora há uma maior aproximação do leitor ao Condado de Craw, fruto da tensão criada pelos dois autores (é impossível dissociar argumento e ilustração em Southern Bastards), que retratam a particular cultura do Sul dos Estados Unidos, com toda a sua escuridão e glória.

Obrigatório!

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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