O «Miracleman» de Neil Gaiman

Depois de editar «Miracleman: Edição Integral» no ano passado, a G. Floy publicou recentemente «Miracleman: A Idade de Ouro», de Neil Gaiman e Mark Buckingham, um dos clássicos obrigatórios da banda desenhada. Após 20 anos de espera, finalmente os leitores da saga continuaram a acompanhar uma história ímpar da BD.

 

Devido a uma longa e angustiante luta pelos direitos de publicação, «Miracleman» ficou cerca de duas décadas sem ser publicado, até que a Marvel terminou com o imbróglio, publicando a história escrita pelo mítico Alan Moore, embora sem poder utilizar o seu nome, sendo substituído por «o Escritor Original». Esta fase do “renegado” Moore é o que podemos encontrar em «Miracleman: Edição Integral».

O que temos em «Miracleman: A Idade de Ouro», o primeiro de três arcos argumentais, é a fase posterior, escrita também pelo mítico Neil Gaiman, nome sugerido curiosamente por Moore quando decidiu abandonar o projeto. Ainda jovem, e antes de concluir a obra que o colocou de vez nos píncaros da banda desenhada, concretamente «Sandman», Gaiman conseguiu manter a aura deixada pelo «Escritor Original», embora tenha colocado o seu especial cunho pessoal, conduzindo o personagem de Moore por outro caminho, mais humano do que um ser superior, uma espécie de Deus a reinar no seu próprio Olimpo.

Uma pérola da banda desenhada

Como é habitual nas obras de Gaiman, a reflexão é recorrente ao longo de «Miracleman: A Idade de Ouro», que constantemente desafia o cliché do género; como aconteceu em «Sandman», Gaiman apresenta pequenas histórias que, no seu conjunto, retratam muito da contemporaneidade das sociedades. O argumentista dá assim voz ao “povo” em vez de “Deus”, como num mundo utópico de Paz, perfeição e controlo também há infelicidade, problemas e desejos frustrados do comum cidadão, na sua luta diária pela sobrevivência.

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No fundo, Gaiman mais não faz do que questionar o próprio ser humano, numa banda desenhada obrigatória neste Natal, ainda mais devido as ilustrações de Mark Buckingham, verdadeira obras de arte da Nona Arte, numa conjugação invulgar entre o argumento e os traços, uma sintonia apenas alcançável pelos grandes nomes da banda desenhada. O equilíbrio entre os desenhos mais convencionais com os mais experimentais é só por si mais do que suficiente para a sua compra. Se acrescentarmos o argumento de Gaiman, sustentado por uma história anterior de Alan Moore, estamos perante uma verdadeira pérola da BD.

 

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Pedro Alves

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