«O Imortal Punho de Ferro» regressa a K’un Lun

A série «O Imortal Punho de Ferro» foi nomeada para o Prémio Eisner de melhor Nova Série em 2008, com Ed Brubaker a conquistar o Eisner como Melhor Argumentista no mesmo ano, enquanto David Aja ganhou, também em 2008, o Prémio Eagle para Melhor Novo Artista. O segundo volume da saga, «As Sete Cidades Capitais do Céu», editado pela G. Floy Studio, já está disponível. Uma banda desenhada de enorme nível.

 

«O Imortal Punho de Ferro» foi quem trouxe o herói das artes marciais para a era moderna da Marvel, um êxito tão grande que mereceu inclusive uma série na Netflix, por exemplo. Este novo arco é uma das histórias épicas de Daniel Rand, que é obrigado a regressar a K’un Lun para fazer parte de um torneio entre todas as cidades místicas e as suas Armas Imortais (que acontece a cada 88 anos), além de salvar a própria cidade que representa, alvo de uma autêntica revolução nos bastidores. Ao mesmo tempo, terá de lidar com Orson Randall, outro Punho de Ferro, e o regresso de Davos, a Serpente de Aço.

Apesar das ligações com o presente, grande parte da história passa-se em K’un Lun, palco principal do arco. E, ao contrário do que possamos imaginar, não são os combates entre as sete Armas Imortais o clímax da história. Felizmente, Brubaker e Matt Fraction procuram dar respostas a todas as incógnitas da história do(s) Punho(s) de Ferro(s) em vez de caírem no facilitismo dos conflitos, que, evidentemente, também estão presentes, mas jamais conseguem subir ao primeiro lugar do pódio de importância. Ou seja, os dois argumentistas mais não fazem do que enriquecerem ainda mais o mundo e a mitologia do Punho de Ferro, revelando ao leitor como o seu legado existiu ao longo dos vários séculos, sendo Daniel Rand o seu mais recente expoente. Através de flashbacks, Brubaker e Fraction finalmente destapam os segredos deste peculiar super-herói, tanto do presente como das suas “encarnações” passadas.

«O Imortal Punho de Ferro» apresenta vários focos de interesse

A capa do segundo arco de «O Imortal Punho de Ferro»
A capa do segundo arco de «O Imortal Punho de Ferro»

Sempre acompanhado por magníficas ilustrações, imprescindíveis suportes da imaginação de Brubaker e Fraction, o grande mérito de «As Sete Cidades Capitais do Céu» é precisamente apresentar vários focos de interesse ao longo de todo o arco, não se limitando em evidenciar apenas um eixo central. Essa variedade de temas, brilhantemente trabalhados e apresentados pelos seus autores em termos de ritmo narrativo, faz com que o leitor esteja sempre a indagar algo durante a leitura, já que todos acabam por estar, aqui e ali, interligados.

Mais não podemos fazer do que aplaudir os seus criadores por terem construído todo um Universo à volta de um super-herói que apresentava até então um enorme vazio nas suas histórias, de certa forma sem identidade, sem “sumo”. Foi precisamente esta construção histórica e de caráter que acabou por tornar a série «O Imortal Punho de Ferro» uma das mais conseguidas da Marvel, abrindo inclusive novas possibilidades de criação, como foi o lançamento, por exemplo, das histórias independentes das Armas Mortíferas.

Em resumo, «As Sete Cidades Capitais do Céu» dá sequência com louvor e brio ao já maravilhoso primeiro volume da série «O Imortal Punho de Ferro». Que venha o terceiro arco…

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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