John Doe procura dar identidade aos mortos n´«O Cemitério dos Esquecidos»

«O Cemitério dos Esquecidos», de Mark Waid e Paul Azaceta, mais uma aposta da G.Floy Studio, está entre o policial noir e o thriller, uma banda desenhada que deve ser olhada com carinho, principalmente devido a sua premissa: um homem que investiga os mortos anónimos enterrados em Potter’s Field, um cemitério para os esquecidos perto de Nova Iorque.

 

Um dos principais méritos de «O Cemitério dos Esquecidos» é não complicar o fácil, como é habitual em muito romance policial da atualidade, que, para ser “moderno e contemporâneo”, tem de apresentar uma trama tão complexa que apenas o autor consegue decifrar o mistério que criou.

Felizmente, Mark Waid constrói uma banda desenhada tendo os clássicos policiais como referência, algo seguido por Paul Azaceta, que realiza um trabalho absolutamente maravilhoso, um trabalho que justifica em pleno a compra desta BD, tal a sua riqueza estética.

«O Cemitério dos Esquecidos» é uma boa surpresa da F. Floy
«O Cemitério dos Esquecidos» é uma boa surpresa da F. Floy

Waid apresenta portanto uma história onde o leitor não se perde com o desenvolvimento da trama, algo só por si de salientar e aplaudir. O autor convida o leitor a acompanhar as investigações de um homem sem história, sem impressões digitais, por exemplo, um investigador (?) que procura dar dignidade aos mortos enterrados em Potter´s Field, em Hart Island, um cemitério de Nova Iorque onde são enterrados os corpos de pessoas sem identificação. Aquando decifra as suas identidades, este misterioso personagem faz questão de esculpir o nome dos mortos nas suas campas. Em resumo, “John Doe”, como é conhecido, tem como missão identificar os nomes dos mortos enterrados em Potter´s Field.

Quem é John Doe, o protagonista de «O Cemitério dos Esquecidos»?

Na realidade, e apesar das investigações de Doe, o verdadeiro mistério de «O Cemitério dos Esquecidos» é o próprio protagonista. A pergunta que colocamos ao ler a BD é apenas uma: quem é John Doe? Mas há outras, como por exemplo: mas porque Doe investiga a morte de pessoas sem identificação?

No fundo, os casos que Doe aprofunda são secundários, já que é ele o verdadeiro eixo central desta curiosa banda desenhada. Como era de esperar, as investigações acabam por trazer complicações para a sua vida, já que muitas mortes são oriundas de atos criminosos, com os seus responsáveis a preferirem o silêncio em relação ao barulho levantado por Doe.

É verdade que as surpresas em relação as investigações são quase mínimas, conseguimos deslumbrar o desfecho de imediato, mas isso não retira o interesse a «O Cemitério dos Esquecidos». No fundo, Mark Waid não tem como objetivo escrever um romance policial contemporâneo. Mais do que os casos em si, o que importa é o seu protagonista, Doe, John Doe.

Ao contrário do que é habitual, não estamos diante de um anti-herói cansado e duro, pelo contrário, estamos diante de um personagem decente que tem um passatempo (?) incomum e perigoso.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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