Um diabo chamado Lavrenti Béria

José Milhazes, jornalista e investigador, é o autor de «Lavrenti Béria – O carrasco ao serviço de Estaline» (Oficina do Livro), obra fundamental para compreender um dos homens mais influentes do regime soviético, responsável pela morte de milhares de pessoas, o sinistro chefe da polícia secreta do ditador vermelho.

 

Através de fotografias e documentos oficiais, Milhazes apresenta uma obra obrigatória para compreender quem foi Lavrenti Béria (1899-1953), um homem que deixou uma forte herança na Rússia dos nossos dias. «Há atuais dirigentes dos serviços secretos russos que apontam Béria como autor de alguns desvios, mas realizador de grandes feitos. Isto é grave (…) São os serviços secretos que estão no poder. Nasceram na União Soviética e não têm vergonha de dizer que são a continuação dos serviços secretos soviéticos. O que é mais curioso é que o presidente Putin condena a repressão estalinista e, no dia seguinte, o chefe dos serviços secretos vem desdize-lo», afirmou recentemente Milhazes à Lusa, palavras que vão ao encontro do que acontece na atualidade, como é o caso das investigações sobre o envenenamento do ex-espião Sergueï Skripal e da sua filha, Yulia, na Grã-Bretanha.

Através de documentos do Partido Comunista da ex-URSS, memórias e outras fontes, o livro destaca o papel primordial que Béria teve na reorganização da polícia política de Estaline, onde a tortura, os processos de deportação de milhões de civis e militares para campos de prisioneiros e limpezas étnicas eram o pão nosso de cada dia. Por exemplo, a investigação de Milhazes revela o papel de Béria no massacre de milhares de polacos na floresta de Katyn, em 1940, mas também o seu envolvimento no assassinato de Lev Trotski, ex-dirigente bolchevique rival de Estaline, no México.

Lavrenti Béria foi reponsável pelo período de terror do estalinismo

No fundo, o nefasto protagonista desta obra nada mais era do que «um braço do estalinismo», como defendeu o jornalista e investigador à Lusa. O livro acompanha os seus principais movimentos e decisões, mas também aborda o seu fim, quando foi condenado à morte e executado no dia 23 de dezembro de 1953, um final de certo modo natural devido ao próprio fim de Estaline, que considerava o seu “comparsa” o “Himmler soviético”.

«O sistema só tinha uma forma de funcionamento e quem não conseguia era liquidado. E ele conseguiu sobreviver até à morte do ditador. Mas, quando os seus camaradas veem em Béria a continuação do estalinismo, liquidam-no para não serem liquidados, utilizando os mesmos métodos que o chefe dos serviços secretos usava (…) Este homem concentrava em si a essência do regime. Não acreditava nem em comunismo nem em coisa nenhuma. Estamos perante cínicos. Não havia preocupações nem pela classe operária nem pelos trabalhadores. Essa gente há muito que tinha deixado de existir (…) Estes regimes não funcionam de outra maneira. Quer sejam de direita, quer sejam de esquerda. É por isso que o camarada Estaline dizia que Béria era um “Himmler”. Quando Roosevelt um dia lhe pergunta quem é o senhor de óculos na sala, Estaline diz: ‘Este é o Himmler soviético‘», referiu à Lusa.

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Em resumo, Laurenti Paulovich Béria afiliou-se ao Partido Bolchevique desde 1917, assumindo a NKVD, a polícia política, em 1938. Até 1953, foi o responsável pela política de terror imposta por Estaline, um dos principais “assassinos” da História. Com o seu livro, Milhazes retrata, sem contemplações, o seu reinado de horror. 

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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