Os Deuses de Kieron Gillen estão entre nós

Uma das BDs independentes que mais sensação gerou nos últimos anos, a G. Floy editou entre nós, no final do ano passado, o primeiro volume de «The Wicked + The Divine», “O Acto de Fausto”, de Kieron Gillen e Jamie McKelvie, um comic que aborda a divindade na Terra.

 

Resumidamente, em «The Wicked + The Divine», os Deuses vivem entre nós durante dois anos, regressando após 90 anos para uma nova existência de mais dois anos. Na história concebida por Gillen, os Deuses não são mais do que estrelas pop (um em particular muito semelhante ao ícone David Bowie). Ou seja, o autor aborda sem complexos a divindade entre os homens, numa série de uma atualidade marcante, uma série que mexe com muito dos nossos conceitos atuais, como por exemplo a necessidade de adoração que todos temos por algo ou por alguém.

Evidentemente que os Deuses de Gillen não resumem os seus atos apenas e só na eterna dualidade Bem-Mal, muito pelo contrário. Há diversos conflitos interiores que marcam as suas escolhas do dia-a-dia, mas também conflitos entre eles próprios, escolhas que apenas visam os seus interesses individuais.

Em «The Wicked + The Divine» acompanhamos a vida de Laura, que, por “obra” do destino, acaba por se envolver com os Deuses da atualidade, um caminho que não procurou trilhar mas que acaba por acontecer. É através de Laura que somos convidados a conhecer os Deuses presentes na história, muitos deles egocêntricos ao máximo. Um dos méritos de Gillen é apresentar desfechos de certo modo inesperados para as pequenas histórias que formam o conjunto deste primeiro arco, que, evidentemente, tem o intuito de “apresentar” a série para os leitores, embora contenha inúmeras informações que mais não fazem do que aumentar o apetite para o que aí vem, muito devido ao ritmo impresso e as tramas construídas, fruto da sua densidade e… obscuridade.

LEIA TAMBÉM
E finalmente Kyle Barnes assume o seu papel de exorcista em Outcast

Jessica Jones e Saga 7

O trabalho de Jamie McKelvie é também maravilhoso, oferecendo um trabalho gráfico muito próximo do pop moderno, fruto da polidez e “limpeza” do seu traço, visualmente muito forte e perfeito para este projeto. É curioso verificar por exemplo o conflito entre o tom de certo modo negro do argumento e a “alegria” transmitida pela ilustração (não ignorar as cores de Matthew Wilson), um “duelo” bastante interessante de assimilar e constatar.

Depois da “apresentação”, agora resta esperar pelo segundo volume de «The Wicked+ The Divine», que será publicado pela G. Floy no primeiro semestre deste ano. Uma oportunidade de ouro para melhor conhecermos uma visão diferente da divindade… na Terra.

Gostaste do artigo? Faz Gosto ou Partilha com os teus amigos!
Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

Gostou? Partilhe pelos amigos