João Moleira: «Preciso treinar mais para obter bons resultados» 

Amante do Atletismo e corredor ocasional por falta de tempo e «disciplina», o jornalista João Moleira publicou recentemente o livro «O que Nasce Torto Também se Endireita», editado pela Manuscrito. Nele podemos encontrar cerca de 120 pequenas histórias «de invenções acidentais, felizes acasos, e “falhados” que afinal… venceram». Entre elas está a história da criação da Adidas e da Puma.
É um praticante da Corrida. Nasceu torto para a modalidade e depois se endireitou?
Ainda estou à espera de me endireitar.  Gostava de ter mais tempo e a mesma disciplina que tenho para outras coisas para a Corrida, mas corro sempre que posso, ou não fosse desde sempre o Atletismo a minha modalidade de eleição até como espectador. Não perco um Europeu ou um Mundial de Atletismo ao vivo no estádio.
Tem alguma prova que pensava que não alcançaria um bom resultado e depois acabou por se surpreender com o tempo final?
Preciso treinar mais para obter bons resultados. Mas a primeira vez que fiz uma prova de 10 km em menos de 50 minutos foi muito bom.
No livro tem apenas uma passagem com o tema da Corrida em foco, onde aborda por exemplo a criação da Adidads e da hoje Puma. Evidentemente que o Mundo do Running apresenta algumas “curiosidades” que nasceram tortas e depois se endireitaram. Porque escolheu esta em concreto?
São vários os casos que poderia ter abordado, principalmente pessoas, de atletas que se superaram quando ninguém pensava que o pudessem fazer e que poderiam estar neste livro, mas optei por não incluir esta minha paixão porque era dificil escolher só uma história e teria um livro inteiro para escrever sobre o assunto. A história dessas duas marcas desportivas surge um pouco a reboque da criação dos ténis, por ser muito curiosa como as duas marcas surgiram.
Como surgiu a ideia de escrever o livro?
A Manuscrito lancou-me o desafio de escrever um livro, eu apresentei a ideia, a editora gostou e em poucos meses estava pronto.
É um curioso por natureza?
A minha ideia vem mesmo daí, do facto de ser curioso. Sou por defeito profissional, mas já o era antes disso. Aliás, uma coisa terá levado à outra. Este é o tipo de literatura que eu gostava de ler quando era mais novo. Procurava muito este tipo de factos, só para ter conhecimento, sem saber que um dia estaria tudo em livro.
Como definiria um curioso, já que muitos associam a palavra a “bisbilhoteiro”?
Nada a ver. Um curioso é um àvido de informação. Um “bisbilhoteiro”, que ainda por cima é uma palavra feia, eu entendo de outra forma.
Considera o português uma pessoa curiosa?
Creio que sim. Todos conhecemos muitos. Faz parte do nosso crescimento querer saber mais sobre o que se passa à nossa volta.
Estas mais de 100 pequenas histórias que publica acumulou ao longo dos anos ou reuniu as mesmas de propósito para o livro?
Muitas delas eu já conhecia, mas foram todas escritas de propósito para este livro.
Como decidiu a estrutura do livro? Foi complicado adaptar os capítulos às histórias que escolheu, por exemplo?
Os capitulos foram surgindo com as histórias. Eu cedo percebi que ia ter muitas coisas ligadas à medicina e outras à gastronomia, portanto seria simples agrupá-las. O mesmo se passou com os restantes. Foram surgindo à medida que eu ia tomando contacto com novas histórias.
Qual foi a principal filosofia de «O que nasce torto também se endireita»? Por exemplo, há em quase todas as histórias um teor bem-humorado na escrita. Teve essa preocupação?
Não foi condição base. O livro surge com um fio condutor, o das descobertas e invenções acidentais e das vidas e carreiras votadas ao fracasso que se superaram e surpreenderam tudo e todos. Acontece é que muitas dessas histórias, pela forma como aconteceram, são por si mesmo engraçadas e eu não podia fugir a esse lado caricato.
Das várias histórias que apresenta, tem alguma mais significativa para si?
Eu gosto muito das histórias da área médica. É incrível como surgiram algumas coisas que ainda hoje são fundamentais para salvar vidas.
E, na sua opinião, qual é a mais incrível?
O gelado de gelo, uma coisa tão inocente que sai de uma brincadeira de criança e que eu nunca imaginei que tivesse sido criado assim.
Certamente que ficaram muitas histórias de fora? Teremos um segundo livro de «O que nasce torto também se endireita»? 
Ficaram algumas porque eu pretendia que as pessoas se identificassem com todas estas histórias e algumas estao relacionadas com coisas ou objectos que eu acho que nem toda a gente reconheceria. 
E um livro «O que nasce direito também se entorta»? É possível?
É uma ideia. Quem sabe?
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Pedro Alves

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