Praia e vento em Ir é o Melhor Remédio: Algarve

A viagem de Teresa Conceição continua em «Ir é o Melhor Remédio: Algarve», livro editado pela Guerra & Paz. Agora conhecemos algumas das praias interiores da região.

 

A catedral de rocha

 

Começamos bem, em pleno areal da Praia de Vale de Centeanes: o embarque é feito com os pés na água, e o mar está com ondas na rebentação. Os estrangeiros dão gritinhos de satisfação com o início aventuroso. E vai haver alguns «Ah!» e «Oh!» de espanto durante a próxima hora de passeio aquático.

Vão dez cabecinhas amarelas no barco, um casal americano com três crianças e um casal francês com duas. O guia e skipper Adriano vai explicar as vistas em inglês, e o pai francês traduz. 

O objectivo é ver de perto o algar que se tornou cabeça de cartaz da região, ao que parece depois de um turista norte-americano ter publicado num blogue uma foto que se tornou viral. Depois disso, já foi classificada várias vezes por publicações internacionais como um must see. Bem, a gruta de Benagil é o chamariz, mas, de facto, o passeio tem muitos pontos de interesse. E eu vou fazer por mar o percurso correspondente ao dos Sete Vales Suspensos que fiz por terra. Muda a perspectiva e tudo muda. Mesmo.

Isto é outra história.

A chuva e o mar escavaram formas geológicas que, de perto, revelam pormenores exuberantes. Passamos por arcos, grutas, poços e algares, extravagâncias escultóricas. Merecem baptismos a rigor. Uma abertura no alto cava um «coração»; duas covas lado a lado são «os olhos do Diabo»; há túneis «do amor»… e Adriano usa de mestria para esperar uma onda e entrar por um canal escuro e comprido com uma neblina branca. É um «canal fantasma». Gritinhos de excitação dos americanos. Que aumentam quando vêem um «crocodilo» mesmo por cima das cabeças. Olho: está de boca aberta, atento, cauda de rocha rígida, ligeiramente inclinado como se fosse saltar. Mas acho que ainda não é hoje. 

Passamos pela Praia do Carvalho, que tem acesso através de um túnel de rocha. E por outra a que só se consegue chegar de barco e onde se organizam festas de música e barbecue em alguns dias de Verão. Um grupo de canoas estava a desembarcar na areia. 

 

Ir é o Melhor Remédio: Algarve revela algumas praias interiores da região
As praias interiores em Ir é o Melhor Remédio: Algarve

 

 

Até que chegamos ao ponto mais alto da viagem. Literalmente, alto. Numa arriba curva ao lado da Praia de Benagil, um arco abre-se acima do mar e deixa vislumbrar outra praia no interior. O barco entra. A «catedral» não desilude. É a mais ampla das grutas, com cúpula e clarabóia natural a deixar entrar a luz. Há banhistas no círculo solar a receber o calor. O resto da praia interior está à sombra.

Saímos a achar que a seguir nada poderia ser mais interessante. Mas não é que está um «elefante» gigante mais à frente, a beber de tromba no mar? Deve estar conservado em água salgada. Um altivo
«King Kong» logo adiante não dá troco às gaivotas. E, não se mexam agora, acho que está ali um «dinossauro» a olhar para nós.

COMO FAZER O PASSEIO:

É essencial informar-se antes sobre o estado do mar e da maré para não ter uma desilusão. Com muita ondulação, o passeio não se faz e, na maré alta, não se consegue entrar em algumas grutas. 

No Verão e Páscoa, é preciso fazer reserva ou não tem lugar. O passeio dura 1 hora e sai às horas certas.
Há várias empresas a fazer o percurso marítimo através das grutas marinhas, e parece que já se atingiu o limite: não se aceitam novas empresas de barcos.

Ir é o Melhor Remédio: Algarve – Finisterra

Dá cá um casaco, agarra o chapéu, põe mas é um lenço, que o cabelo voa e já não volta. Traz mas é uma manta, que com este frio não vamos longe.

E agora olha. Respira.

Podia ser mais um cabo onde a terra acaba e o mar começa.

Visto do ar, parece um pé descalço a entrar na água. Não fomos nós pés descalços a avançar pelo mar adentro? Este horizonte marítimo carrega essas e outras vozes. Foi contemplado ao longo dos séculos por tanta gente de olhar diferente e, ao mesmo tempo, igual, que parece concentrar energias cegas além das do vento.

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O Mar é o nosso acompanhante constante em Ir é o Melhor Remédio: Algarve
Ir é o Melhor Remédio: Algarve sempre com o Mar como pano de fundo

 

Promontório sagrado, quantos cultos ficaram a morar aqui? 

Desde os pré-históricos, aos romanos, aos islâmicos, aos cristãos, aos pagãos. É um limite ou um ponto de partida? Ou um ciclo a recomeçar?

Quem além tão longe vai? Devia ter trazido Camões ou Pessoa comigo, a Mensagem liga bem com as occidentais praias lusitanas.

Esta é uma esquina do fim do mundo rica em fortes e muralhas de defesa. Temos de entrar na Fortaleza de Sagres, foi o Infante que a mandou construir, no século xv. É Monumento Nacional, sai mais caro. Três euros são bem empregues para ver os canhões em riste, a rosa-dos-ventos, o relógio de sol, a torre cisterna, a igreja da Senhora da Graça, em cima da outra que não se vê, fundada pelo nosso distante Henrique. Tanta coisa feita em nome de um sonho cheio de naus e fé dentro. Tem um Dom, o D. Henrique.

Temos ainda de ir ver as ruínas do Forte da Baleeira, tem  história de corsários, onde estará Francis Drake? E se arrancássemos já para o Cabo de S. Vicente? Com seu farol altaneiro e seus vendedores
de camisolas de lã? Já estava capaz de me embrulhar numa.

 

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Pedro Alves

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