Manuel Morgado expele bastante calor em «Dragomante: Fogo de Dragão»

Uma parceria entre as editoras G.Floy Studio e a Comicheart, «Dragomante: Fogo de Dragão», de Filipe Faria e Manuel Morgado, comprova que a banda desenhada nacional está mais do que viva.

 

Evidentemente que, para o êxito de uma banda desenhada, é essencial haver uma união quase perfeita entre o texto e a ilustração. Neste caso em concreto, acreditamos que tal não ocorre, já que, do nosso ponto de vista, os traços de Manuel Morgado estão muito acima das palavras de Filipe Faria, que acabam por fazer com que o ritmo da leitura seja bastante “vagaroso”, quando a trama assim não exige. É um “pormenor” que é facilmente ultrapassável nos próximos volumes, já que, claramente, Filipe Faria teve demasiada preocupação em enquadrar o seu Mundo aos leitores neste primeiro arco, embora de forma muito “rococó”, contrária ao que os desenhos de Morgado exigem, uma muito maior “agilidade”.

Mas isso não faz de «Dragomante: Fogo de Dragão» uma obra menor, pelo contrário, é uma prova cabal da riqueza que a banda desenhada nacional vive, tanto a nível de procura como de edição, mas também como protagonista, com alguns portugueses a darem cartas Mundo afora, inclusive no emblemático Mundo da Marvel (Jorge Coelho e Filipe Andrade são apenas dois de alguns, por exemplo). A ideia de Filipe Faria tem o seu interesse e por isso merece só por si a aposta do leitor, numa BD que procura retirar ao máximo todo o sumo de uma “ménage à trois” entre uma Dragomante (a jovem Nereila), um dragão e um escudeiro (Ékión).

Fantasia no seu melhor, «Dragomante: Fogo de Dragão» tem nas ilustrações de Morgado, que irá fazer em breve  um álbum para a Dargaud, uma das principais editoras de BD de França, o seu “fogo destruidor”. A verdade é que não conseguimos ficar indiferentes aos detalhes das suas ilustrações, assim como a realidade imposta nos combates.

«Dragomante: Fogo de Dragão» tem nas ilustrações a sua força maior

«Tal como na nossa primeira colaboração, “Talismã”, o Manuel Morgado pregou-me novamente a ‘partida’ de me entregar uma história desenhada e pedir-me que eu com ela fizesse… bem, uma história. Os desenhos seguiam um fio condutor na cabeça dele, mas o argumento não chegara a cristalizar, e havia coisas que lhe faziam sentido na página e nos painéis mudos, mas nem tanto na narrativa. (…) ao examinar o que ele já tinha desenhado (cerca de 95% daquilo que viria a ser o álbum), em busca de algo em que pudesse pegar para construir uma narrativa que fizesse jus aos desenhos, dei-me de conta de um acaso peculiar: os dragões na história nunca eram vistos a expelir fogo. E o resto é, literalmente, história…», referiu Filipe Faria sobre este curioso trabalho, também disponível em versão inglesa.

Sem ser uma obra-prima, longe disso, «Dragomante: Fogo de Dragão» também não desilude. Como referido, é necessário dar mais “agilidade” ao texto, trazer o dinamismo das ilustrações de Morgado às palavras, fazer da sua leitura algo apetecível, como acontece com os desenhos. Principalmente, fazer com que o texto provoque curiosidade pelo que aí vem, já que, neste primeiro arco, o desfecho final é algo facilmente deduzível. Para um primeiro volume, o trabalho de Filipe Faria e Manuel Morgado cumpre, mas, para o segundo arco, acreditamos que a “pressão” sobre o texto deverá ser maior, já que não há mais espaço para este desencontro com o poder das imagens de Morgado.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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