O conflito entre Homens e Robots na obra-prima Descender

Ao longo dos últimos anos, a G.Floy Studio tem editado entre nós algumas das principais bandas desenhadas da atualidade. Descender, com texto de Jeff Lemire e ilustrações de Dustin Nguyen, é uma deles. O primeiro arco da série, “Estrelas de Lata”, é simplesmente obrigatório!

 

A perfeição existe? Talvez Descender comprove que sim. A união entre Lemire e Nguyen é algo que deve ser gritado aos sete ventos, tal o brilhantismo desta banda desenhada, fruto de dois nomes marcantes do atual panorama da banda desenhada mundial.

Num futuro indeterminado, onde androides e Homens convivem pacificamente, o Conselho Galáctico Unido (CGU), constituído por nove planetas colonizados pela Humanidade, é dizimado por uns robots gigantes, posteriormente nomeados Colectores. Após o ataque, e inexplicavelmente, os “invasores” desaparecem.

Após a incompreensível investida estrangeira, os sobreviventes decidem destruir qualquer tipo de androide, temendo algum tipo de ligação com os Colectores. A onda de sentimento anti-robótico da Humanidade tem uma razão de existir, já que o medo paira na galáxia: e se os robots gigantes regressarem para terminar o “trabalho” que não concluíram?

Uma década depois do nefasto acontecimento, TIM-21, um robot de companhia para crianças, desperta numa colónia mineira desativada na orla exterior do espaço da CGU. Quando “acorda”, depara-se com um planeta destruído, onde é o único sobrevivente, além do seu cão-robot. O problema é que o seu códex-base, uma espécie de ADN do robot, pode estar associado aos Colectores, sendo por isso a chave do futuro da Galáxia, um bem apetecível para todos, inclusive para o seu criador, Jin Quon.

Descender é uma obra-prima da ficção-científica

O mérito de Lemire e Nguyen (é impossível “isolar” um trabalho do outro, já que o Mundo estético criado pelo ilustrador está indissociavelmente ligado à história) é conseguir transmitir em pleno autenticidade e magnetismo ao longo de todas as páginas, principalmente por parte de TIM-21 (modelo que também foi dilacerado pela fúria humana pós-Colectores), que, de androide, não tem absolutamente nada.

Pouco a pouco, o autor vai colocando as peças do seu puzzle nesta impressionante e carismática história de ficção científica, aumentando a nossa empatia pela trama principal, mas sem jamais ignorar a importância e o mistério das várias sub-tramas. Neste primeiro arco, Lemire e Nguyen têm a preocupação de apresentar o conjunto do que pretendem oferecer nos próximos volumes, e a verdade é que é impossível não ficarmos ansiosos pelas próximas edições da G. Floy Studio, tal as possibilidades que podem ser exploradas. Melhor exemplo é o seu final…

De referir que Descender ganhou o prémio Eisner para Melhor Arte Pintada em 2015.

 

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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