As «bruxas» do nosso passado que assolam o nosso presente

Não é normal, em Portugal, termos livros cujo género seja o terror “simples e duro”. Muito menos em banda desenhada. Portanto, o lançamento por parte da G. Floy de «Bruxas», argumento de Scott Snyder, um dos autores de culto da DC Comics (escreveu alguns dos título icónicos de Batman, por exemplo), ilustrações de Jock e cores de Matt Hollingsworth, é só por si um acontecimento, ainda mais quando estamos perante um título realmente… terrífico.

 

Um pouco por todo o lado, «Bruxas» recebeu elevados elogios onde foi publicado, algo natural tendo em vista a riqueza do seu texto e ilustrações, que conseguem introduzir o necessário “medo” e temor à sua leitura, algo que fica logo explícito nas primeiras páginas, num inesperado e marcante momento entre um jovem e a sua mãe.

Está dado o tom, portanto, do que vamos encontrar ao longo da leitura desta peculiar e cativante banda desenhada, que utiliza o terror para abordar alguns dos temas de sempre da Humanidade, principalmente o da culpa e a relação com o nosso passado, sem esquecer o bullying, por exemplo.

Neste primeiro arco narrativo conhecemos a família Rook, nova habitante da pacata (?) Litchfield, no New Hampshire. Tudo o que Lucy e, principalmente, Charlie pretendem é dar a necessária tranquilidade a sua filha, Sailor, que não se consegue livrar dos fantasmas do seu terrível passado. O problema dos Rooks é que, além deles, também Litchfield tem os seus segredos, que acabam por marcar todos, tanto os locais como os seus novos habitantes.

As trevas humanas marcam o argumento de «Bruxas»

Scott Snyder consegue manter com brio o mistério e o suspense ao longo da história, jogando com mestria o passado com o tenebroso presente, onde as negritudes pessoais imperam, principalmente para Sailor e Charlie. O argumentista explora na perfeição que o passado de alguém jamais pode ser esquecido ou ignorado, que ele sempre nos acompanhará ao longo das nossas vidas, quer queiramos, quer não.

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«Bruxas» aborda muito das trevas humanas, concentradas na floresta de Litchfield, onde habitam seres que mais não querem o que lhes foi prometido. Snider coloca a questão de até onde vamos por um desejo, o quanto estamos dispostos a dar por algo.

Um texto apaixonante secundado pelas sombrias ilustrações de Jock, que consegue imprimir a desejada sensação de terror ao argumento exigido por Snider, que, através do mistério que envolve o passado dos Rooks, apresenta uma BD que merece realmente a atenção de todos, mesmo os que não são grandes apreciadores de terror.

 

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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