Algarve: ir é o melhor remédio na Ilha da Armona

No segundo dia d´«A Semana “Nunca mais chegam as férias”», Teresa Conceição leva os seus leitores a Ilha da Armona no seu livro «Ir é o Melhor Remédio: Algarve», editado pela Guerra & Paz.

 

Ilha da Armona

 

Praias da Fuzeta e Barra

 

Para quem delira com viagem de barco como eu, estas ilhas da Ria Formosa são diversão garantida. A passagem entre margens faz parte da aventura. Pelo prazer da paisagem e pelas pessoas que se observam e conhecem.

 

Algarve: ir é o melhor remédio em Olhão
A marginal de Olhão

 

A Armona tem 9 quilómetros e fica em frente a Olhão e Fuzeta. A partir de Olhão, as travessias para a Armona duram uns 20 minutos. Há barco de hora a hora no Verão. A viagem pode fazer-se também a partir de Faro e da Ilha da Culatra.

De um lado tem casario junto ao ancoradouro. Mas, tanto a nascente como a poente, há um lado selvagem encantador. É casa do camaleão único desta área. Tem zona de praia do lado da ria e do lado do mar e há parque de campismo e restaurantes familiares perto do molhe. Depois de atracar, ainda é preciso andar uns 15 minutos até chegar à praia de areal a perder de vista. 

É um sítio popular para a prática de vela, canoagem, mergulho, pesca recreativa. Podem encontrar-se várias casas para alugar no casario.

A Praia da Fuzeta fica numa ponta da Armona. Para lá chegar, parte-se da Fuzeta, vila piscatória, em viagem de barco da carreira através dos canais da Ria Formosa. Quem quiser andar 1 hora, para o lado onde nasce o sol, encontra o areal da Barra da Fuzeta, com  piscinas naturais na baixa-mar. Em barco particular é mais rápido, e há várias empresas que prestam serviço de táxi aquático. A Praia da Barra não tem vigilância.

O barco-casa

Podia ser amor e uma cabana, porque não há mais nada em volta. E pode despertar paixão à primeira vista, por ser uma ideia diferente do habitual. Não é bem um barco, porque não navega, nem uma casa, porque está sobre a água. E podia ter sido ideia de um marinheiro… mas foi de um arquitecto que fez dos barcos a vida. Ricardo Badalo embarcou no projecto de fazer passeios pela Ria Formosa há alguns anos e investiu agora neste conceito de alojamento ecológico aquático.

 

O barco-casa em destaque no Algarve: ir é o melhor remédio
O barco-casa é um dos destaques do livro «Ir é o Melhor Remédio: Algarve»

 

O barco está ancorado na praia da Barra Velha. Para chegar lá é preciso embarcar no cais da Fuzeta em barco-táxi. Pode-se optar por uma estada romântica ou em família – está equipado com uma cama de casal e duas individuais, kitchenette e casa de banho com chuveiro. Podem preparar-se refeições ligeiras a bordo ou encomendar uma refeição especial. É dormir embalado pela água e acordar na praia. Há quarto com melhor vista?

Para sair e passear, se gosta de remar, tem à disposição um barco a remos para quatro pessoas. Para visitar outras ilhas, pode requisitar um táxi marítimo.

Cães, camaleões e cavalos-marinhos

Passear no Parque Natural da Ria Formosa vai ter lugar garantido no álbum de recordações: com a beleza do cenário e a fartura de pássaros e plantas, qualquer passeio que se escolha fazer nesta riqueza da Natureza deixa memórias gratas.

Podem fazer-se caminhadas guiadas no Parque Natural, com binóculos ou máquina, para observação ou «caçada» fotográfica. Com sorte, podem ver-se camaleões. Só existem nesta zona costeira. Precisam de pinhal e da vegetação das dunas. Eram abundantes há umas décadas, agora escasseiam.

Há passeios para conhecer os cães-d’água algarvios, assistir ao treino no banho e nadar com os animais, que são uma graça. 

Ou ainda reservar um passeio de barco pelos canais da ria, de manhã, à tarde ou já ao poente. Até é possível fazer um jantar romântico em praia deserta (jantar em veleiro custa 300 € para duas pessoas). Com a quantidade de empresas que começaram a explorar os canais da ria, as possibilidades são muitas. Como operam a partir de cidades diferentes, é preciso ver qual a mais conveniente em cada caso. É bom consultar sites e informar-se antes de fazer a escolha. 

 

Ir é o Melhor Remédio: Algarve na Ria Formosa
Ria Formosa é passagem obrigatória no Algarve

Os hipocampos da ria

É preciso ter muito cuidado com este habitat delicado. Os cientistas do Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve estudam há mais de dez anos a maior comunidade de cavalos-marinhos do mundo, que é a da Ria Formosa, e verificaram que o número tem vindo a diminuir drasticamente.

Primeiro, parece que uma espécie introduzida de ostras do Japão transportou algas nocivas. Depois descobriu-se outro predador mais daninho: o Homem. Há captura ilegal para venda ao mercado asiático, para práticas de medicina tradicional. O cavalo-marinho é uma espécie protegida, mas não são as leis que o protegem.

Os hipocampos movem-se lentamente e reproduzem-se pouco. Se, por um lado, a poluição e actividades lúdicas descuidadas podem prejudicar o desenvolvimento, por outro, a pesca ilegal pode fazer desaparecer a espécie.

Pelo sim pelo não, já estão a ser criadas várias gerações de cavalos-marinhos em cativeiro. E podem fazer-se observações da vida destes habitantes da ria, desde que seja com guias cuidadosos, conhecedores dos habitats e das suas regras.

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Pedro Alves

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