Kilian Jornet contra o Mundo no “Parque de Diversões” da Ultra Trail Mont Blanc

Com nenhuma derrota em 2017 e com vitórias na Mont Blanc Marathon, Hardrock 100 (com o ombro deslocado) e Sierre Zinal (e ainda subiu por duas vezes o Evereste em seis dias), Kilian Jornet é o homem a derrotar na principal prova do “Parque de Diversões” da Ultra Trail Mont Blanc, com 171 quilómetros e 10 mil metros de desnível positivo, com início na próxima sexta-feira.

 

Longe está o ano de 2003, quando a primeira edição da Ultra Trail Mont Blanc contou apenas com a sua prova principal (na altura, com 155 km). Hoje, 15 edições passadas, o evento conta com cinco provas (a CCC – 101 km/D+ 6100m – surge em 2006; a PTL – 290 km/D+ 26500m – em 2007; a TDS – 119 km/D+ 7200m – em 2009; e a OCC – 56 km/D+ 3500m – em 2014), com distâncias para todos os gostos, desvirtuando, até certo ponto, a essência da corrida original. Hoje a Ultra Trail Mont Blanc é um autêntico “Parque de Diversões do Trail”, um evento que reúne cerca de 8000 atletas e que percorre três países (França, Itália e Suíça). Pelas ruas e montanhas ao longo dos percursos, 25 mil espetadores apoiam os seus ídolos, familiares, amigos e atletas.

 

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Publicado por Ultra Trail du Mont Blanc – UTMB em Terça-feira, 1 de Agosto de 2017

 

Devido a proliferação de corridas (a primeira, com partida na segunda-feira, já está a decorrer, a PTL, com 290 km e 26500 metros de D+), evidentemente que há uma que centra os olhos de todo o Mundo, a mesma que surpreendeu o Mundo do Trail em 2003 e que marcou em definitivo a evolução da modalidade, muito devido a sua dificuldade. Para termos uma ideia, em 2016 participaram 2555 atletas na prova, com 1079 abandonos, ou seja, praticamente 42% dos atletas, uma clara demonstração da dificuldade da corrida, o sonho de qualquer corredor de um ultramaratonista.

Todos contra Kilian Jornet na UTMB

Este ano, a UTMB apresenta um dos cartazes competitivos mais forte dos últimos anos, com todos os olhos colocados em Kilian Jornet, que vai procurar obter o seu quarto triunfo na prova. O espanhol está no seu pico de forma e, este ano, não sofreu nenhuma derrota, com um épico triunfo na Hardrock 100, correndo grande parte da prova com um ombro esquerdo deslocado. No entanto, o principal feito de Jornet este ano foi ter alcançado o topo do Evereste por duas vezes em seis dias, um feito que colocou o espanhol nos noticiários dos grandes órgãos de comunicação social.

O espanhol, que começou a ser falado no Trail mundial após ter ganho precisamente a UTMB de 2008 (venceu depois em 2009 e 2011), tem a sua tarefa “facilitada” devido as ausências do francês Ludovic Pommeret (vai correr a CCC), vencedor de 2016, e do compatriota bicampeão mundial Luis Alberto Hernando, talvez o grande ausente da edição deste ano, que decidiu apostar na The Rut (Estados Unidos) e na Ultra Pirineu (Espanha), provas mais curtas.

Mas a vitória de Jornet “não está cantada”, fruto da forte concorrência, como são os casos de terá mesmo assim grandes adversários, como os franceses François D’Haene, Xavier Thevenard e Julien Chorier (os dois primeiros com duas vitórias na prova), os compatriotas Miguel Heras e Pau Capell e os norte-americanos Jim Walmsley, Sage Canaday, Zach Miller e David Laney, assim como o lituano Gediminas Grinius.

 

Caroline Chaverot espera repetir o feito de 2016 na Ultra Trail Mont Blanc
Caroline Chaverot espera repetir o feito de 2016 na Ultra Trail Mont Blanc

 

No feminino, é esperado com expetativa o duelo entre a catalã Nuria Picas, segunda colocada em 2013 e 2014, e a francesa Caroline Chaverot, vencedora de 2016. Nota também para a também espanhola Gemma Arenas, assim como as norte-americanas Magdalena Boulet, Stéphanie Howe e Joelle Vaught e a suíça Andrea Huser.

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Pedro Alves

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