Trail Vila de Rei: o duelo que não existiu entre Tiago Romão e David Quelhas

Com alguma surpresa para muitos e não para alguns, inclusive para o próprio, Tiago Cantante Romão foi o vencedor do recente Trail Vila de Rei (50 km; 2080 D+; 4h15m30). Depois da Orientação, o atleta do Comércio e Indústria vai representar novamente às cores de Portugal, agora no Mundial de Trail, agendado para o dia 10 de junho na região da Toscana, em Itália. Tudo após uma intensa luta com David Quelhas (4h17m45). Ou talvez não…

 

Ficou surpreso com o triunfo no Trail Vila de Rei?
Não posso dizer que foi uma surpresa. Apesar de estar no Trail há cerca de um ano e de ter sido apenas a minha segunda Ultra, pratico desporto há cerca de 14 anos e trabalhei bastante nos últimos dois meses com vista a lutar pelo apuramento. Sabia de antemão que a competitividade seria muito alta, com bastante gente a trabalhar especificamente para esta prova, e que seria bastante difícil, até pela falta de experiência, mas também tinha a certeza que seria possível.

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Durante o Trail Vila de Rei, quando teve a consciência de que a vitória não escaparia?
Apenas depois de cruzar a linha de meta. Independentemente de ir em primeiro nos últimos metros, bastava uma quebra física, um músculo que cedesse, um pé que torcesse ou mesmo um engano no percurso para o que algo que parecia certo terminasse no mesmo local. Esta é a minha forma de pensar: a prova só acaba na meta.

Qual foi a sua principal dificuldade ao longo do percurso?
A dificuldade em saber a que ritmo seguir. Ainda me falta muita experiência nestas distâncias…

Teve uma acesa luta com o David Quelhas no Trail Vila de Rei. Poderia falar sobre o “duelo” entre os dois?
Não considero de forma alguma que existiu entre mim e o Quelhas uma “luta” ou um “duelo”. O que existiu foi duas pessoas que se respeitaram e que, pelas circunstâncias da corrida, acabaram por seguir à frente na parte final da prova. Além disso, nunca considerei, nem mesmo agora considero, que a prova se tenha resumido a nós os dois. Não conhecia o David Quelhas antes desta prova, mas desde o primeiro momento considerei-o um amigo e penso que isso demonstra bem o espírito que vivemos durante a corrida.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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