Olívia Sousa garante que é madeirense nem que o MIUT diga o contrário

Num post bastante emotivo, Olívia Sousa mostrou a tristeza que vive atualmente por exigirem que ela devolva «o prémio de melhor madeirense» do MIUT por não ter nascido na Madeira, apesar de morar na ilha desde os… 3 anos.

 

Olívia Sousa começa o seu post a comunicar que não pretendia “levantar barulho” sobre o tema. No entanto, a sua alma madeirense assim não permitiu.

«Prometi ‘aos meus’ que não me iria pronunciar publicamente acerca deste assunto, mas como madeirense que sou, sinto uma obrigação incontrolável de o fazer.»

Depois de uma apresentação pessoal, Olívia Sousa, que revela a sua intrínseca relação que tem com a Madeira, refere que está a viver um período bastante triste na sua vida, admitindo que sofre mais do que sofreu no MIUT, quando alcançou o oitavo lugar da prova, sendo assim a melhor portuguesa da corrida, que terminou em 20h54.

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«Consegui tirar 1hora e oito minutos ao tempo de há dois anos, alcancei o título de melhor portuguesa em prova, fui oitava da geral numa prova com um grau de competitividade e exigência que dispensa apresentações, não só a nível de percurso como também a nível das condições climatéricas. Cruzei a meta e gritei «MADEIRA!». Trabalhei muito, acreditei e consegui.

«Eu fico com a pureza da resposta das crianças», escreveu Olívia Sousa no Facebook sobre a polémica que está a viver
«Eu fico com a pureza da resposta das crianças», escreveu Olívia Sousa no Facebook sobre a polémica que está a viver

(Passo então a explicar a tristeza profunda que abala a minha alma…)
Deveria estar radiante, feliz, deveria estar em paz, a saborear a minha conquista, no entanto…estou a sofrer. Não deveria estar, mas estou. Sofro mais agora do que durante a prova. Sofro porque sinto que me querem ‘roubar’ a identidade… Exigem que devolva o prémio de melhor madeirense porque não nasci na Madeira. Vivo aqui desde os 3 anos. Cresci, estudei, formei-me, trabalho, tive um filho na Madeira.»

Sem calar a sua angústia, o post constinua…

«Falem do que quiserem, alimentem as polémicas que quiserem, acusem de que não lemos o regulamento, procurem palavrinhas chave no universo de outras tantas, retirem o meu troféu, mas uma coisa é certa… pode ´dar no gôto’ a muita gente, mas nunca irão conseguir arrancar a minha alma madeirense! Posso entregar o pedaço de Madeira mas não a forma como me vejo e aquilo em que acredito: sou 100% madeirense.»

Nobre como sempre, Olívia Soua termina o seu post no Facebook felicitando tudo e todos, não deixando no entanto de pedir apenas uma coisa: «Respeito

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Na íntegra, o emotivo post de Olívia Sousa

«Olá a todos.

Prometi ‘aos meus’ que não me iria pronunciar publicamente acerca deste assunto, mas como madeirense que sou, sinto uma obrigação incontrolável de o fazer.

O meu nome é Olívia de Sousa, tenho 38 anos, tenho um ‘buzico’ lindo com 10 anos, uma família maravilhosa, amigos sinceros, adoro a minha profissão e a corrida nos trilhos.

Os meus pais, tal como muitos emigrantes, emigraram para a Austrália à procura de melhores condições de vida. Viveram lá durante 8 anos e regressaram à Madeira com duas filhas nos braços, a minha irmã com 6 anos e eu com 3 anos. O meu irmão nasceu na Madeira. De todas as recordações que guardo, a sensação de deixar a terra onde nascemos trazendo em 4 malas apenas uma vida de 8 anos é das recordações mais marcantes que tenho.

Voltámos para os braços da nossa família e ainda me lembro que, nessa altura o meu pai enfrentou algumas ‘tempestades’, mas lutou sempre, uma vez mais e mais.

É essa luta, esse acreditar, essa determinação e garra que levo comigo para cada treino e prova que faço. Essa vontade de fazer o melhor que consigo, ‘abicar-me’, enfrentando todas as adversidades, herdei do meu pai e vou manter até ao resto dos meus dias, doa a quem doer. Não sou pessoa de me ‘aboseirar’.

Não preciso explicar a minha paixão pelo Trail, nem a alegria que sinto quando estou a correr. Não são coisas que se explicam, sentem-se! A paixão que sinto pela minha terra e o orgulho que tenho em dizer que sou da Madeira…é uma coisa que se vê.

Completei uma prova duríssima de 115km em 20horas e 54 minutos. Consegui tirar 1hora e oito minutos ao tempo de há dois anos, alcancei o título de melhor portuguesa em prova, fui oitava da geral numa prova com um grau de competitividade e exigência que dispensa apresentações, não só a nível de percurso como também a nível das condições climatéricas. Cruzei a meta e gritei «MADEIRA!». Trabalhei muito, acreditei e consegui.

(Passo então a explicar a tristeza profunda que abala a minha alma…)

Deveria estar radiante, feliz, deveria estar em paz, a saborear a minha conquista, no entanto…estou a sofrer. Não deveria estar, mas estou. Sofro mais agora do que durante a prova. Sofro porque sinto que me querem ‘roubar’ a identidade… Exigem que devolva o prémio de melhor madeirense porque não nasci na Madeira. Vivo aqui desde os 3 anos. Cresci, estudei, formei-me, trabalho, tive um filho na Madeira.

Falem do que quiserem, alimentem as polémicas que quiserem, acusem de que não lemos o regulamento, procurem palavrinhas chave no universo de outras tantas, retirem o meu troféu, mas uma coisa é certa… pode ´dar no gôto’ a muita gente, mas nunca irão conseguir arrancar a minha alma madeirense! Posso entregar o pedaço de Madeira mas não a forma como me vejo e aquilo em que acredito: sou 100% madeirense.

Fecho por aqui este capítulo. Preciso de energia para viver, cuidar do meu filho, estar com os meus, trabalhar, treinar. Vou treinar muito…ainda mais e com mais ‘gana’. Vou lutar para levar o nome Madeira o mais longe que puder e não vou deixar mais ninguém me ‘pizar’.

Aos que me querem bem, o meu abraço sentido.

Aos outros um brinde com vinho e laranjada.

Muitos parabéns à organização, voluntários, a todos os atletas participantes e aos que sob condições adversas, estiveram a apoiar. Respeito.
💚👊🏽🙏🏽»

 

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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