Julen Larruzea: «Por umas sapatilhas não quero compromissos com ninguém»

Julen Larruzea é um dos nomes do momento no Trail espanhol. Com 34 anos, em apenas quatro meses alcançou resultados significativos na modalidade, desde a sua estreia nas corridas na montanha. Em Zegama, por exemplo, foi sexto colocado, um resultado que o coloca de vez no panorama internacional, concretamente nas etapas da Taça do Mundo. O espanhol também é frontal nas suas entrevistas, como aconteceu para o site carreraspormontana…

 

«Pratiquei muitas disciplinas diferentes e em todas acabei “queimado”, há demasiado circo. No Trail respira-se um outro ar», afirmou Larruzea, que, quando era mais novo, fez a Ultra Trail de Mont Blanc, mas acabou por desistir devido a sua inexperiência. «Nunca explorei o Trail, faltava a dureza e a experiência, que espero ter ganho com o tempo. Agora corro um pouco com mais com a cabeça e, ao que parece, as coisas não estão a correr mal.»

Apesar do “ar diferente”, Larruzea confessa que não se sente muito à vontade com grandes eventos, como Zegama, «sinto-me mais à vontade com as corridas do povo».

Pela entrevista concedida ao site carreraspormontana, nota-se que o espanhol é avesso ao “circo” da comunicação social e das marcas. Aliás, Larruzea fez uma crítica feroz as mesmas:

«De momento não tenho nenhum patrocinador e não espero ter nenhum. Em geral, os patrocinadores parecem uns crocodilos e digo isso devido a minha experiência em outros desportos. Se dão um, logo pedem 10. E se não dás, dão-te um pontapé. Entendo que eles não são uma ONG, que existem para vender, mas não me interessa entrar nesse jogo, ainda menos num desporto barato como o Trail. Por umas sapatilhas não quero compromissos com ninguém.»

Julen Larruzea, que não tem um treinador nem um nutricionista, revelou ainda que é um “corredor-cronómetro”, que gosta de centrar a sua corrida no cronómetro, nas suas pulsações e nas parciais.

«Trabalho muito bem com o relógio e gosto muito de estudar os percursos para assim executar a estratégia que tenho preparada (…) Gosto de ter tudo bem controlado e, se alguém me ganha, que seja por ser melhor, não devido a minhas falhas de preparação. Também preparo muito os abastecimentos: não me perdoaria perder 10 segundos ali com o que custa os recuperar. Tudo é possível treinar.»

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Pedro Alves

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