Corredor francês morre após queda no Mont Blanc

O francês Matthieu Craff, de apenas 28 anos, morreu após sofrer uma aparatosa queda no maciço de Mont Blanc, que, na próxima semana, recebe a principal prova de Trail do continente europeu.

 

O acidente aconteceu na denominada Voie Royale, que dá acesso ao topo dos Alpes pelo lado francês, uma via que causou outra morte no passado dia 17 de agosto, o que fez com que os responsáveis políticos do município mais alto de França, Saint-Gervais, ordenassem que todos os utilizadores do itinerário fossem obrigados a levar equipamento obrigatório de alpinismo, uma exigência que Craff não respeitou.

 

O trajeto onde decorreu a morte do corredor francês Matthieu Craff
O trajeto onde decorreu a morte do corredor francês Matthieu Craff

 

O gaulês sofreu a queda mortal quando estava a 4500 metros de altitude, concretamente quando descia de Mont Blanc pela sua vertente Norte, revela a imprensa local. Craff despenhou-se cerca de 300 metros e o seu corpo foi encontrado pelo “Peloton de Gendarmerie de Haute Montagne” de Chamonix. Os mesmos revelaram que o francês estava equipado como um corredor, com sapatilhas e roupa desportiva, mas sem material de alpinismo (por exemplo, não utilizava bastões).

Apesar de não ser um corredor de topo, Matthieu Craff , que era considerado uma das promessas da modalidade na Bretanha, tinha um curriculum de respeito, já que, entre outros resultados, sustentava um quarto lugar noTrail de Bourbon de Gran Raid Reunion (2016) e uma oitava posição no Festival des Templiers (2015). Era ainda finalista em outras conceituadas provas, como em CCC (2014) e TDS (2015).

Kilian Jornet propõe um debate sobre a segurança na montanha

Após o comunicado dos políticos de Saint-Gervais, Kilian Jonet, um dos nomes mais significativos do Trail mundial, e profundo conhecedor de Mont Blanc, colocou um post nas suas redes sociais com a seguinte pergunta: «Em resumo, se ascendes pelo lado italiano é legal?» Na foto, vemos o espanhol nu, numa imagem recuperada de 2012.

 

Kilian Jornet é contra o uso obrigatório de material
Kilian Jornet é contra o uso obrigatório de material, mesmo com a morte de mais um corredor em Mont Blanc

 

A pergunta (e a imagem…) tornou-se viral, com Jornet a escrever mais tarde outro post, no qual defendia o debate construtivo sobre os riscos e a segurança nas montanhas, mas principalmente a informação. «Não se trata do material, mas do conhecimento sobre o seu uso e a experiência que cada um tem com ele», salientou.

Entretanto, o responsável por Saint-Gervais, Jean-Marc Peillex, que foi bastante criticado nas redes sociais após anunciar as suas políticas (segundo o mesmo, tendo como objetivo impedir o aumento de acidentes no maciço montanhoso devido ao crescente número de praticantes do denominado alpine running), também não perdeu a oportunidade para deixar a sua opinião após a morte de Craff.

«Uma chamada de atenção para os corredores de Trail que pensavam que era apropriado enganar ou insultar as nossas medidas. Hoje podem meditar sobre o que é mais importante na vida: a própria vida ou os desafios estúpidos. Estou enojado com a estupidez daqueles que não sabem o que criticar. Estou orgulhoso e assumo a decisão que tomei.»

 

LEIA TAMBÉM

O filme da UTMB 2016

Ester Alves quer viver em pleno a montanha em Mont Blanc

Gostaste do artigo? Faz Gosto ou Partilha com os teus amigos!
Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

Gostou? Partilhe pelos amigos