Do futsal para o Campeonato do Mundo de Corrida em Montanha em um ano

Luís Silvestre tem apenas um ano no Atletismo, já que, em 2016, era jogador de futsal. No domingo representará Portugal no Mundial de Corrida em Montanha.

 

Pessoalmente, o que pretende no Mundial? Qual o seu objetivo?
Como falei anteriormente, parto sem uma expetativa definida. Apenas me passa pela cabeça fazer o melhor resultado possível, sem impor limites.

Qual o objetivo coletivo da seleção nacional?
Vamos tentar fazer a melhor classificação alguma vez alcançada por uma equipa portuguesa. Penso que temos condições para tal e tudo iremos fazer nesse sentido.

Poderia resumir um pouco da sua carreira desportiva?
A minha carreira desportiva, no que ao Atletismo diz respeito, é muito curta. Joguei futsal durante 7 ou 8 anos e só no final da época passada (maio 2016) terminei a minha ligação ao futsal. Em janeiro desse mesmo ano decidi, em conjunto com uma equipa da minha terra (CTM Vila Pouca de Aguiar), começar a fazer alguns treinos e algumas provas, mas nada de elaborado. Como sou bastante ambicioso, decidi na altura decidi estar presente nos Nacionais de Pista ao Ar Livre. Sabia que seria tremendamente difícil, uma vez que tinha iniciado a atividade há pouquíssimo tempo. E estava ainda a praticar futsal em simultâneo… Mas dediquei-me muito e consegui os mínimos para os Nacionais, o que só por si fiquei bastante contente. Terminei a prova (5000m) em 12.º lugar, o que me deixou muito agradado. Foi realmente aí que fiquei com o “bichinho” e decidi arriscar no Atletismo.
No início desta época transferi-me para o SC Braga e, desde então, tudo mudou. Em conjunto com o meu treinador, Emanuel Brandão, definimos objetivos no início da época, objetivos esses que os consegui cumprir, tendo inclusive os superados. Nesta minha primeira época alcancei o 5.º lugar no Nacional de Estrada, o 7.º lugar no Nacional de Pista Coberta (3000m), o 2.º lugar no Nacional de Corrida em Montanha e o 2.º lugar no Europeu de Corrida em Montanha. Estes são alguns dos resultados que alcancei nesta primeira época, resultados que, para mim, são fantásticos e deixam-me hipermotivado para a próxima época.

Nacional de Estrada marcou o ex-jogador de futsal Luís Saraiva

Qual a prova que recorda com mais carinho? Por quê?
Podia escolher algumas, entre as quais o Europeu, mas vou escolher o Nacional de Estrada por ter sido aquela que me catapultou para um outro nível. Era o primeiro grande objetivo da época e admito que estava nervoso antes da prova. Queria que tudo corresse na perfeição e felizmente assim aconteceu. Alcançar aquele quinto lugar foi dos momentos mais fantásticos da época.

 

A equipa do Sporting de Braga do ex-jogador de futsal Luís Rodriges
A equipa do Sporting de Braga, que alcançou recentemente o terceiro lugar na I Divisão

 

E o que significa representar o SC Braga?
Representar o SC Braga é uma tremenda honra e responsabilidade. É um clube com muita tradição, onde o Atletismo é uma das suas “bandeiras”, um clube por onde passarem Albertina Machado, Aurora Cunha, etc. Decidi aceitar este desafio por ser um projeto que me agrada bastante. Acredito aliás que, nos próximos anos, poderemos chegar muito mais longe. Outro dos motivos que me levou a aceitar foi ser um clube com ambição e objetivos, o que iria fazer com que eu evoluísse se quisesse fazer parte desses mesmos objetivos.

Quem é o Luís Saraiva?
O Luís Saraiva é um miúdo tranquilo, divertido, amigo do seu amigo e sempre disposto a ajudar. Desportivamente falando, considero-me super ambicioso, persistente e dedicado. Sou apenas um miúdo que anda em busca dos seus sonhos e que não vai desistir enquanto não os alcançar.

Tendo em vista o seu bom resultado no Europeu de Corrida em Montanha, vai continuar a correr em estrada? Quais os seus planos para o futuro? Estrada ou trail?
As disciplinas onde realmente me quero focar são a estrada, pista e o corta-mato. São aquelas em que realmente me sinto mais a vontade e é nessas que quero mesmo vingar. É certo que, depois deste resultado no Europeu de Montanha, não posso colocar completamente de lado a montanha, mas sinceramente, nos próximos anos, apenas me quero focar nas disciplinas referidas anteriormente.

Gostaste do artigo? Faz Gosto ou Partilha com os teus amigos!
Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

Gostou? Partilhe pelos amigos