Maratona de Boston: a incrível história de superação de Tim Don

Tim Don terminou a Maratona de Boston com o tempo de 2h49m42. Um desfecho feliz para uma história de cinema. Há seis meses, o triatleta sofreu um grave acidente de viação em Kona, no Havai, onde espera regressar ainda este ano…

 

Após terminar a Maratona de Boston, certamente que Tim Don reviveu os seus duros últimos seis meses para estar ali, na linha de chegada da prova mais tradicional do Atletismo mundial. Não era para menos, já que o triatleta sofreu um aparatoso acidente de viação no passado dia 11 de outubro de 2017 durante o seu treino para o Mundial Ironman, no Havai, uma das provas de sonho de milhões de atletas.

O grave acidente de Tim Don
O grave acidente de Tim Don

Campeão do Mundo na distância olímpica em 2006 e recordista mundial do Ironman (7h40m23), o britânico esteve em coma durante 30 minutos e por muito pouco não morreu, o que não aconteceu devido a pronta resposta dos serviços médicos locais.

Parciais de Tim Don na Maratona de Boston
Parciais de Tim Don na Maratona de Boston

Na ocasião, muitos acreditaram que a sua carreira desportiva estava terminada, tal a gravidade da sua lesão. Menos Tim Don, que, perante três opções de recuperação, escolheu a mais complicada, mas a única que lhe dava hipótese de regresso ao triatlo. Todavia, era a mais dolorosa, concretamente a utilização de um halo cervical.

«O halo é um dispositivo de tortura medieval. É uma experiência terrível, mas era a melhor opção para uma recuperação completa sem limitações a longo prazo. Basicamente, consiste em colocar quatro “pregos” de titânio na cabeça do paciente, dois à frente e dois atrás, unindo os quatro através de uma circunferência, com duas barras de metal, numa espécie de busto. Deveria ser utilizado durante três meses. É muito doloroso, mas funciona», revela o médico de Don no documentário “The Man with the Halo”, com estreia agendada para o próximo mês.

O cartaz do documentário de Tim Don
Clique na imagem para ver o trailer

Tim Don tem como objetivo participar no Ironman do Havai em outubro

Evidentemente que a recuperação foi marcante para o triatleta, que, durante três meses, conviveu com a dor todos os dias. Mas a verdade é que Don jamais desistiu, demonstrando uma força interior invulgar para muitos seres humanos. «Se recuperar serei melhor do que antes», afirmou. Durante o processo, o britânico não dormiu, por exemplo, mais de 90 minutos durante os três meses que “utilizou” o Halo cervical, já que tinha de estar completamente imóvel, algo realmente para muitos poucos.

Tim Don com o Halo cervical
Tim Don com o Halo cervical

Após os 90 dias com o indesejado material na sua cabeça, Tim Don regressou aos treinos, pouco a pouco, primeiro no ginásio, depois na piscina e finalmente a correr, tendo como objetivo a Maratona de Boston.

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Tinha como meta terminar a corrida em 2h50, feito que alcançou, um tempo “próximo” do seu recorde do Mundo no Ironman de Florianópolis, no Brasil, quando correu a Maratona em 2h44m46.

O registo alcançado na passada segunda-feira comprova que Tim Don está efetivamente de regresso, o mesmo Tim Don que espera, no próximo dia 13 de outubro, estar na prova onde o seu drama começou, o Ironman do Havai.

Uma história de cinema…

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Ironman World-Record holder, Tim Don, competes in the Boston Marathon 6 months after breaking his neck

“I’m lucky I’m alive. I’m lucky I can walk.” Tim Don/Dirty fast coaching broke his neck after being hit by a car 3 days before the World Ironman Championship. 6 months later, he’s running the #BostonMarathon.

Publicado por The Players' Tribune em Sábado, 14 de Abril de 2018

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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