Maratona de Roterdão, onde terminar em último é mais gratificante do que acabar em primeiro

Dona de casa, Marian de Jong, de 58 anos, foi a última classificada da Maratona de Roterdão. Desiludida? Nem pensar, já que foi recebida como se acabasse de superar o recorde do mundo da distância.

 

Ao som de “You Never Walk Alone”, um pelotão policial e muitos papeis laranjas, Marian de Jong, após extenuantes 6 horas, 04 minutos e 30 segundos, finalmente terminou a Maratona de Roterdão, junto com os netos Juul e Fien, ambos com três anos.

«Os espectadores ficaram completamente loucos. Nunca fui saudada com tanto entusiasmo. Deu-me bastante força para correr os últimos metros», confessou.

De Jong recebeu duas medalhas das mãos do presidente da cidade, Ahmed Aboutaleb. Uma por ter terminado a prova, outra para o seu marido Hans, que morreu há um ano e meio e que a acompanhava, de moto, nos treinos.

Vencedor da Maratona de Roterdão cumprimenta pessoalmente Marian de Jong

O vencedor da Maratona de Roterdão foi Kenneth Kipkemoi, com o tempo de 2 horas, 05 minutos e 44 segundos. O queniano também esteve presente aquando da chegada da principal figura da corrida, fazendo questão de felicitar De Jong pelo término da sua corrida.

Kenneth Kipkemoi fez questão de cumprimentar Marian de Jong no final da Maratona de Roterdão
Kenneth Kipkemoi fez questão de cumprimentar Marian de Jong no final da Maratona de Roterdão

Sobre a sua corrida, a última classificada, natural de Dordrecht, referiu que foi tranquila até o quilómetro 20. «Mas jamais pensei em desistir», garante. «Hans lutou onze anos contra o cancro e morreu há um ano e meio. Ele não está agora em casa, mas está comigo. Sinto-me ótima.»

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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