O balanço da Maratona de Boston 2018

Frio, muita chuva, vitórias e abandonos inesperados. Este é o balanço da Maratona de Boston 2018, marcada pelo quinto aniversário pós-atentados, que causaram três mortes e mais de 300 feridos.

 

Sem dúvida alguma que a Maratona de Boston 2018, que comemorou a sua 122.ª edição, ficará marcada pelos inesperados triunfos do japonês Yuki Kawauchi e da norte-americana Desiree Linden. Para termos uma ideia do feito, é suficiente referir que o Japão e os Estados Unidos não venciam a prova desde 1987 (com Toshihiko Seko) e 1985 (com Lisa Larsen Weidenbach), respetivamente.

O triunfo da atleta norte-americana significa ainda o excelente momento que vive a Maratona dos Estados Unidos após os triunfos de Shalane Flanagan em Nova Iorque e Galen Rupp em Chicago, ambos triunfos alcançados em 2017.

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É verdade que o tempo final de Linden, de 34 anos, não é para recordar (2h39m54, 1h19m42 + 1h20m12) no futuro, já que é o pior tempo desde 1978, mas não podemos ignorar a classificação geral da prova feminina, com seis atletas locais no Top 7, um resultado absolutamente avassalador na Maratona mais tradicional do Mundo, a mais antiga da História. Linden correu a sua 14.ª Maratona e alcançou o primeiro triunfo na carreira, algo que aconteceu na sua sexta participação em Boston (em 2011 ficou em segundo).

A melhor africana foi a bicampeã mundial (2011 e 2013) e até então titular do título, Edna Kiplagat, que terminou na oitava posição com o registo de 2h47m14 (não podemos esquecer que, nas últimas 24 edições da Maratona de Boston, pelo menos uma atleta africana terminou entre as quatro primeiras classificadas, incluindo 19 vitórias). 

Yuki Kawauchi surpreende campeão mundial na Maratona de Boston 2018

Nos homens, nota também para o resultado nada animador de Yuki Kawauchi em termos de tempo, já que as suas 2h15m58 são o pior registo de Boston desde 1976. Mas o que devemos ressaltar no triunfo do nipónico, funcionário público de profissão, é o seu feito em si.

Atleta amador, sem treinador, Kawauchi, de 31 anos, escreveu mais uma vez o seu nome na História da distância. Este ano já correu quatro Maratonas e, em Boston, alcançou a sua quarta vitória. Nos últimos 12 meses, foram 14 provas a correr 42,195 km, números absolutamente “absurdos” (esta foi a sua 81.ª Maratona desde que começou a correr a distância, em 2009. Nunca abandonou nenhuma prova e na segunda-feira alcançou a sua 34.ª vitória).

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 O triunfo em Boston é o principal resultado desportivo do corredor amador mais famoso do Mundo, o denominado “Maratonista do Povo”, a sua primeira vitória numa Major (sexto em Nova Iorque 2015; 11.º em Nova Iorque 2013 e 2014; 14.º em Berlim 2016). Como curiosidade, o japonês não pode receber dinheiro de patrocinadores devido ao seu trabalho, mas pode receber os prémios das corridas. Por ter ganho em Boston, levou para a sua conta bancária um cheque de cerca de 121 mil euros.

As desilusões da Maratona de Boston 2018

A desilusão da prova masculina foi o atual campeão do Mundo, o queniano Geoffrey Kirui, que, ao quilómetro 35, chegou a ter uma vantagem de 1m35 sobre Kawauchi. No entanto, acabou por ceder nos quilómetros finais e terminou na segunda posição com o tempo de 2h18m23.

Nota ainda para a desistência de Galen Rupp, um dos principais favoritos ao triunfo final, que não se adaptou as duras condições da prova. No entanto, refira-se que os atletas dos Estados Unidos contaram com seis atletas no Top 10, mais uma excelente resultado do Atletismo norte-americano (apenas um africano nas primeiras classificações…).

De referir também que, dos 16 corredores africanos da elite, tanto no masculino como no feminino, apenas três terminaram a corrida: Kiplagat, Kirui e Stephen Sambu (14.º). Todos os seis etíopes desistiram. No total, do escalão elite, houve 23 desistências.

Desistências da elite feminina da Maratona de Boston 2018
Desistências da elite feminina da Maratona de Boston 2018
Desistências da elite masculina da Maratona de Boston 2018
Desistências da elite masculina da Maratona de Boston 2018

Essas desistências comprovam como as más condições climáticas ditaram os resultados finais abaixo da média. O vento, o frio e a forte chuva que caíram durante a corrida tornaram os 42,195 km das ruas da cidade norte-americana em algo desumano, dificultando em muito a prova de todos os participantes, tornando deste modo o seu término algo para ser recordado para sempre. Pelo menos para os atletas amadores, como é o caso de Yuki Kawauchi…

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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