Carlos Móia: «A estrada começa a ser pequena porque as pessoas querem correr»

O presidente do Maratona Clube de Portugal, Carlos Móia, confessou que a prova chegou ao seu limite, que não pode ir além de «35, 36, 38 mil pessoas», já que as pessoas querem correr e as ruas não suportam mais corredores.

 

Na apresentação da EDP Meia-maratona de Lisboa, Carlos Móia foi franco no seu discurso e confessou que a prova não tem condições logísticas de crescer mais. O presidente do Maratona Clube de Portugal chegou mesmo a confessar que acolher 35 mil atletas «talvez seja muito».

«Aquelas pessoas que antigamente andavam e não corriam foram substituídas. Hoje temos mais gente a correr do que a andar. A estrada começa a ser pequena porque as pessoas querem correr e a realidade é que sentem dificuldades em fazer isso.»

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O presidente do Maratona Clube de Portugal referiu também que, infelizmente, não consegue criar caixas de partida por tempo, o que facilitaria a vida dos corredores mais rápidos, mas a Ponte 25 de Abril só é entregue a organização às 9h15, com a prova a ser disputada às 10h30. «Não tenho a noite toda para organizar tudo, como acontece na Vasco da Gama», lamentou.

Carlos Móia, que criticou severamente o Turismo de Lisboa acusando o organismo de não compreender as potencialidades do turismo desportivo («É uma instituição que não existe há 27 anos», chegou a dizer), destacou no seu discurso que a prova terá cerca de cinco mil estrangeiros oriundos de 64 países, uma receita importante para a cidade de Lisboa.

«Esses atletas trazem os seus familiares, por exemplo. Nas nossas contas, são cerca de 7500 estrangeiros em Lisboa durante este fim-de-semana devido a EDP Meia-maratona. Junto com a Maratona de Outubro e outras provas, trazemos cerca de 20 mil estrangeiros por ano à cidade (…) Este turismo desportivo é hoje fundamental e tem impacto a nível económico em qualquer cidade mundial, já que deixa muito dinheiro. O Turismo de Lisboa não percebe isso…»

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Sobre a prova em si, Carlos Móia destacou que a categoria masculina terá 19 atletas olímpicos (sete atletas com tempos abaixo dos 61 minutos, entre os quais quatro abaixo da hora, entre eles o eritreu Nguse Amloson, vencedor da última edição da Meia-maratona de Portugal. O seu melhor registo pessoal é de 59m39), mas o dirigente defendeu que será a corrida feminina o principal foco de atenção de todos no domingo, chegando mesmo a crer que poderá haver um novo registo mundial.

«Teremos a Vivian Cheruiyot, campeã olímpica nos 5 mil metros e vice-campeã olímpica nos 10 mil metros. Ela mantém uma grande rivalidade com a Mare Dibaba, campeã mundial da Maratona e terceira na Maratona do Rio de Janeiro. Há ainda a vencedora do ano passado, Ruti Aga, júnior em 2016. As atletas portuguesas… Será uma prova realmente bastante atrativa para assistir, seja no percurso ou pela televisão.»

Organizadores, patrocinadores, parceiros e atletas numa foto de família da EDP Meia-maratona de Lisboa

O Comendador Carlos Móia salientou ainda a corrida de cadeira de rodas, que alcançou novos registos mundiais na edição de 2016 precisamente em Lisboa, o que faz com que, este ano, a selecionadora inglesa de cadeira de rodas e a diretora da Maratona de Londres estejam na capital portuguesa para assistir a EDP Meia-maratona.

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«A nossa corrida é importante, ao longo dos anos vários recordes do Mundo foram superados. Lisboa acolhe, felizmente, uma grande competição, reconhecida por muitos lá fora», referiu durante a apresentação, que contou com quatro atletas, o inglês Simon Lawson, a brasileira Maria de Fátima, Nguse Amloson, da Eritreia, e Mary Wacera.

Mary Wacera, Nguse Amloson, Maria de Fátima e Simon Lawson na conferência da EDP Meia-maratona de Lisboa

Todos afirmaram que esperam fazer uma boa prova, mas coube a Maria de Fátima fazer um maior discurso depois de ter ido na quinta-feira ao Santuário que lhe sustenta o nome, fruto da sua fé na mãe de Jesus.

«É sempre uma emoção competir em Lisboa, foi onde participei na minha primeira competição fora do Brasil. Treinar e correr com estes atletas de elite só aumentou o meu rendimento. Sobre ter ido à Fátima, só tenho de agradecer a organização por me ter oferecido essa oportunidade, de ter cumprido um sonho. Se antes era feita de fé, agora a fé transborda por mim

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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