A inesquecível despedida de Mo Farah da Liga Diamante

Parece que desta foi de vez. Mo Farah disse definitivamente adeus aos eventos em pista para se dedicar ao asfalto. E a despedida foi memorável, com uma vitória inesquecível na Liga Diamante de Zurique.

 

O britânico mostrou os motivos pelos quais construiu o seu nome na história do Atletismo. Numa reta final de sonho, Farah conseguiu superar a ânsia da vitória dos seus adversários e ganhou uma prova que muitos já consideram de memorável, tal a disputa verificada pelo inglês com o norte-americano Paul Chelimo e o etíope Muktar Edris, o homem que o derrotou no Mundial de Londres nos 5000 metros.

No entanto, desta vez, Farah foi mais rápido, com o tempo de 13m06s05, quatro centésimos a menos que os rivais. Na quarta posição ficou Yomif Kejelcha, com 13m06s18. De referir que Chelimo foi posteriormente desqualificado após empurrar Edris, numa última volta que “enlouqueceu” o público presente no Estádio Letzigrund de Zurique.

Deste modo, Farah, que sustenta quatro medalhas de ouro olímpicas e seis títulos mundiais, despediu-se da melhor forma das pistas mundiais, onde domina o meio-fundo desde 2011. A grande questão agora é saber se continuará com o seu ímpeto demolidor na Maratona.

«Sentirei falta das pistas, das pessoas, dos meus admiradores, mas agora o que pretendo fazer é passar tempo com a minha família. Desfrutei durante muitos anos da corrida nos estádios, mas agora darei lugar a minha família», revelou Farah através de um comunicado da organização. «Desejava vencer esta prova e foi incrível ter alcançado a vitória, principalmente por ser uma corrida muito dura.»

 

 

Campeões mundiais falham…

A Liga Diamante de Zurique ficou marcada pelas muitas derrotas dos atuais campeões do Mundo. Por exemplo, Justin Galtin, nos 100 metros, foi quarto colocado, com 10s04, sendo o primeiro o britânico Chijindu Ujah (9s97). No triplo, Olga Rypakova, bronze na capital inglesa, saltou 14m55 e foi superior a Yulimar Rojas (14s52) e Caterine Ibargüen (14s48), ouro e prata em Londres. Nos 1500 metros, Timothy Cheruiyot (3m33s93), prata nos Mundiais, derrotou Elijah Motonei Manangoi (3m34s26), ouro em Londres.

Mas houve mais… A holandesa Dafne Schippers alcançou um frustrante quarto lugar nos 200 metros (foi ouro no Mundial), com 22s36 (a vencedora foi Shaunae Miller-Uibo, bronze no início do mês, com 21s88. Nos 3000 metros obstáculos, a surpreendente campeã mundial, a norte-americana Emma Coburn (9m14s81), foi quarta (venceu Ruth Jebet com a melhor marca do ano, 8m55s29). Nos 400 metros barreiras, o também campeão mundial Karsten Warholm (48s22) foi surpreendido por Kyron McMaster, com 48s07 (em Londres foi desqualificado por ter pisado a linha interior da sua pista e por passar a perna pelo lado de fora). Quem também falhou em Zurique foi o alemão Johannes Vetter, no lançamento do dardo.

Campeões mundiais cumprem…

Caster Semenya alcançou a sua 20.ª vitória seguida nos 800 metros, com 1m55s84, e Sally Pearson foi a vencedora nos 110 metros barreiras (12s55). Entretanto, os também campeões mundiais Sam Kendricks venceu no salto com vara (5m87), Mutaz Essa Barshim alcançou o seu terceiro diamante no salto em altura (2m36), Luvo Manyonga ganhou no salto em comprimento (8m49), Barbora Spotáková no dardo (65m54) e Gong Lijiao no peso (19m60).

Referência ainda para Isaac Makwala, vencedor nos 400 metros devido a ausência do campeão mundial Van Niekerk (43s95). No final, como aconteceu em Londres, o velocista não deixou de fazer flexões. Uma nova maneira de comemorar as suas vitórias?

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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