Caster Semenya vai competir com os homens se não baixar os seus valores de testosterona

A Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF) publicou uma nova norma sobre o hiperandroginismo, que proibirá atletas de correrem distâncias entre os 400 e 1500 metros com níveis de testosterona mais altos do que o normal. Por exemplo, esta nova norma vai afetar Caster Semenya, três vezes campeã do Mundo nos 800 metros e bicampeã olímpica.

 

Além de Caster Semenya, esta nova medida afetará todos os atletas de meio-fundo com elevada produção de testosterona endógena, que serão obrigadas a reduzir os níveis ou então poderão competir no setor masculino.

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A IAAF decidiu que as «atletas disfuncionais no seu desenvolvimento sexual» terão de apresentar níveis abaixo dos cinco nanomoles por litro de sangue (antes era de dez nanomoles), por um período contínuo de pelo menos seis meses antes da competição.

O domínio de Caster Semenya poderá estar em causa na IAAF ao ter de baixar os seus níveis de testosterona
O domínio de Caster Semenya poderá estar em causa na IAAF ao ter de baixar os seus níveis de testosterona

Segundo um novo estudo da IAAF, o limiar de tolerância de dez nanomoles por litro de sangue permitia aumentar a massa muscular em 4,4 por cento, a força entre 12 e 26 por cento e a hemoglobina em 7,8 por cento.

Presidente da IAAF defende que nova norma permitirá uma maior igualdade nas competições

«Esta revisão das regras não está relacionada com o combate a qualquer infração, dado que nenhuma atleta com essa disfunção tirou daí proveito, mas irá permitir uma maior igualdade na competição», defendeu o presidente da IAAF, Sebastian Coe.

A nova regra que pretende evitar a competição de atletas com níveis de testosterona mais altos do que o normal entrará em vigor a partir do dia 01 de novembro deste ano. A atleta, como é o caso de Caster Semenya, que não conseguir reduzir o nível de testosterona elevado abaixo do limite só poderá competir como mulher em outras distâncias ou… como homem.

África do Sul defende Caster Semenya e está contra a nova norma da IAAF

A decisão da IAAF já causou indignação na África do Sul, com o Governo a defender que a nova norma é uma “caça às bruxas” contra Caster Semenya.

«Esta infeliz e intencionada decisão é, no melhor dos casos, uma caça às bruxas contra a nossa atleta Caster Semenya», refere a Ministra do Deporto, Tokozile Xasa, através de um comunicado. A política salienta que a nova norma da IAAF é uma forma de diminuir o domínio das atletas africanas e convida os sul-africanos a demonstrarem o seu desagrado.

Xasa garante que o seu executivo lutará contra a decisão da IAAF, considerada, na África do Sul, de racista, sexista e com o intuito de terminar com a superioridade de Semenya.

 


 

Sem mencionar diretamente a nova norma que pretende evitar a participação de atletas com níveis de testosterona mais altos do que o normal, Caster Semenya tem utilizado a sua conta do Twitter para manifestar a sua opinião: «Estou 97% segura de que não agrado, mas estou 100% segura que isso não me importa» e «Como é bonito permanecer calada enquanto os restantes esperam que eu esteja furiosa» são apenas dois exemplos.

Ao longo do dia, Caster Semenya recebeu milhares de mensagens de apoio dos seus compatriotas, sendo um dos tópicos do dia na África do Sul. Ou seja, a polémica está definitivamente lançada…

Resultados de Semenya nos últimos anos:

 

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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