Bosse “chorou” por Bolt antes de vencer os 800 metros

Nas meias-finais, o francês Pierre-Ambroise Bosse fez questão de mostrar a sua tristeza pela derrota de Usain Bolt. Ontem, foi campeão do Mundo dos 800 metros, numa arrancada fulgurante e inesperada para muitos.

 

Aquando da apresentação dos atletas na meia-final dos 800 metros, Bosse fez questão de homenagear Usain Bolt, que, inesperadamente, tinha perdido a final dos 100 metros.

O gaulês mostrou através de gestos a sua tristeza, ao mesmo tempo que fez questão de reverenciar a história que Usain Bolt alcançou no Atletismo, não se intimidando de repetir o gesto marcante do jamaicano.

A atitude de Bosse ganhou de imediato aplausos dos ingleses, que começaram a olhar com mais interesse para o francês.

 

 

Das “lágrimas” a glória

No entanto, muitos não esperavam que, poucos dias depois, o gaulês merecesse aplausos por mérito próprio, fruto da sua performance na final dos 800 metros.

 

Bosse não estava no "cartaz" dos 800 metros
O “cartaz” dos 800 metros

 

Mesmo com rivais que, teoricamente, eram considerados muito mais fortes, Bosse, quarto lugar nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, e depois de 600 metros, “colocou a sexta” e correu para a vitória, surpreendendo os seus adversários, que jamais esperavam que o gaulês conseguisse manter o ritmo “alucinado” nos 50 metros finais.

Todavia, Bosse conseguiu e acabou por ser uma das figuras do Mundial de Londres, conquistando uma medalha que poucos previam, inclusive os franceses.

 

Bosse faz a capa do L'Équipe
A capa do L’Équipe

 

Apesar da ausência do queniano David Rudisha, o grande dominador da distância, bicampeão mundial (Daegu 2011 e Pequim 2015), bicampeão olímpico (Londres 2012 e Rio de Janeiro 2016) e detentor do recorde do Mundo, com 1m40s91, ninguém pode retirar o mérito de Bosse, ainda mais quando não fazia parte do lote dos favoritos, como fica claro pelo próprio gaulês após o término da sua prova. Algo incrédulo, aponta para si mesmo, como a perguntar. «Fui eu que ganhei?»

No final, com uma enorme humildade, afirmou:

«Tenho um enorme respeito pelo Rudisha. Em pleno, é imbatível. Não sou o melhor do Mundo, fui o melhor numa corrida em um determinado momento (…) Sou um jogador. Apostei tudo no vermelho e saiu.»

Para termos uma ideia da façanha de Bosse, aqui ficam os seus números de 2017:

Número de vitória no ano: 0
Entre os três primeiros classificados numa corrida: 0
Última vez que ficou entre os três primeiros classificados numa corrida: 22/07/2016

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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