“Pernas de Frango” Allyson Felix igualam Usain Bolt e Merlene Ottey

É verdade que não foi a medalha que esperava, mas Allyson Felix, de 31 anos, dos Estados Unidos, entrou em definitivo para a História do Atletismo mundial após igualar o feito de Usain Bolt e Merlene Ottey: 14 medalhas em Mundiais.

 

Durante a sua infância, na escola, os colegas e amigos de classe de Allyson Felix chamavam a franzina criança de “pernas de frango”. Hoje, essas mesmas pernas são responsáveis por uma das principais histórias do Atletismo de sempre.

 

Merlene Ottey e Usain Bolt juntos em Londres
Merlene Ottey e Usain Bolt juntos em Londres

 

Em Londres, a norte-americana igualou dois “monstros” da modalidade, concretamente Usain Bolt, da Jamaica, e Merlene Ottey, jamaicana naturalizada eslovena. Ao terminar na terceira posição na final dos 400 metros, Allyson Felix conquistou a sua 14.ª medalha em Mundiais, nove de ouro, três de prata e duas de bronze (Bolt soma 11 de ouro, duas de prata e uma de bronze, esta última obtida precisamente em Londres; Ottey tem três medalhas de ouro, quatro de prata e sete de bronze).

Mas tanto Bolt como Allyson ainda poderão aumentar esse número, já que ambos vão disputar as provas de estafeta no fim de semana. O jamaicano correrá os 4×100 metros, mas a norte-americana, além dos 4x100m, também vai correr os 4x400m. Ou seja, Allyson poderá ser o atleta com mais medalhas na História dos Mundiais.

Mas há mais: enquanto o raio termina a sua carreira após o término dos 4x100m em Londres, a norte-americana vai continuar a correr, tendo como objetivo os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020. Aliás, Allyson é a atleta com mais medalhas de ouro na História dos jogos, com seis em quatro participações (tem ainda três de prata).

«Honestamente, não penso na quantidade de medalhas e o que elas significam. Sempre começo cada temporada ou cada torneio tendo em conta os meus objetivos. Acredito que, quando terminar a minha carreira, olharei para trás e aí sim poderei apreciar tudo o que conquistei», afirmou há dias a norte-americana, que foi um dos destaques da final dramática dos 400 metros em Londres (leia aqui).

A elegância de Allyson Felix

Uma das caraterísticas de Allyson Felix é o seu estilo de corrida. Muitos afirmam inclusive que ela não corre, flutua. Essa elegância nas pistas é a sua marca pessoal, aquilo que a diferencia de todas as atletas, tudo devido as suas longas pernas, as mesmas que eram motivo de riso na escola, onde jogava basquetebol.

 

«As brincadeiras dos meus amigos não me agradavam. Sentia que, embora tivesse pernas longas, podia ser forte. Isso levou-e ao Atletismo, deixando o basquetebol. Queria demonstrar a todos que estavam enganados. Depois comecei a competir e tornei realidade alguns dos meus sonhos. Quando as pessoas fazem troça de nós, às vezes acabam por fazer com que consigamos alcançar coisas que nem nós próprias pensávamos ser capazes de conseguir. Chamavam-me de “pernas de frango” e usei isso como motivação.»

Allyson Felix numa escola nos Estados Unidos
Allyson Felix numa escola nos Estados Unidos

 

De referir que, nos Estados Unidos, Allyson é um exemplo para milhares de crianças, mulheres e atletas. É uma férrea ativista contra o doping no Atletismo e defende sistematicamente o programa “Believe”, um programa da Agência Antidoping dos Estados Unidos no qual os desportistas fazem análises… voluntariamente.

Recentemente, foi a porta-voz da campanha de Los Angeles em Doha, na luta da sua cidade para organizar os Jogos Olímpicos de 2024 contra Paris (ficou decidido que a cidade europeia organizará os jogos de 2024 e LA receberá o evento em 2028). Junto do COI, e devido a política xenófoba de Donald Trump, foi perentória.

«Tenho uma mensagem para vocês: Por favor, não duvidem de nós! A diversidade dos Estados Unidos é a nossa maior força.»

É essa força de caráter que sempre dominou a vida de Allyson Felix. Desde quando era chamada de “pernas de frango”…

Allyson Felix foi capa da Women Running especial dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro
Allyson Felix foi capa da Women Running especial dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro
Gostaste do artigo? Faz Gosto ou Partilha com os teus amigos!
Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

Gostou? Partilhe pelos amigos