Corre com meias de compressão? Talvez não sejam necessárias…

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As meias de compressão, que são utilizadas supostamente para evitar lesões e fadiga, são uma das recentes modas do Mundo da Corrida. No entanto, um recente estudo revelado em Espanha defende que as meias, que chegam quase ao joelho e que comprimem os gémeos, não trazem nenhum benefício durante a corrida.

 

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Se um leigo olhar com cuidado a linha de partida de uma corrida, principalmente para o primeiro “bloco”, as meias de compressão dominam o vestuário dos corredores, o que confirma a “febre” que assola os atletas amadores mundiais (inclusive alguns profissionais).O seu uso é de certo modo compreensível, já que as mesmas, teoricamente, diminuem a fadiga muscular e aumentam a circulação sanguínea, o que faz com que o sangue chegue mais depressa ao coração, o que significa uma maior resistência. Não podemos esquecer que uma prova de maratona ou mais quilómetros exige do corpo um desgaste muito grande, que coloca em causa as fibras musculares das pernas, o que representa uma redução da força muscular e o aumento da dor e do cansaço. Eis que então surgiu no mercado, há cerca de dois, três anos, as meias de compressão, que prometiam solucionar esse problema, pelo menos o reduzir.

Pois bem, agora os investigadores do Laboratorio de Fisiología del Ejercicio de la Universidad Camilo José Cela referem que os benefícios das meias de compressão são quase nulos, pelo menos na nossa performance.

«A investigação foi a resposta a um produto que chegou ao mercado antes de ter uma confirmação científica que confirmasse o que promovia», revela ao jornal espanhol El Pais o diretor da instituição e responsável pelo estudo, Juan del Coso. A pesquisa em causa decorreu na edição de 2013 da Rock’n’Roll Madrid Maratón e abordou dois grupos: 17 participantes que utilizaram na prova meias de compressão e outros 17 que usaram meias “normais”. Todos do mesmo nível!

«Ambos os grupos completaram a prova praticamente com o mesmo tempo, de 3h30, e obtiveram os mesmos valores de fadiga e dano muscular. O grupo “normal” obteve os mesmos dados do grupo que usou as meias de compressão. Não se pode assegurar que as meias de compressão tenham influência no rendimento, não se pode explicar um mecanismo que, em princípio, não existe. O único efeito positivo verificou-se na recuperação, não com o rendimento. A principal diferença foi os corredores que usaram as meias de compressão terem sentido menos dores musculares ao dia seguinte da Maratona.»

No entanto, Del Coso defende a utilização das meias de compressão por pessoas que sofram de problemas de circulação, que realizem trabalho estático durante horas.

«Ao pressionar de forma externa sobre a musculatura, ajuda-se o sangue a regressar melhor ao coração. Mas, ao correr, essa função é cumprida pelos próprios músculos. As meias de compressão podem funcionar no repouso, mas não são efetivas no exercício.»

O estudo foi divulgado no Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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