«O jovem Karl Marx»: pedaço de história para recordar

Esta película é uma estória de amizade entre dois amigos que partilham pensamentos para alterar uma sociedade que parece condenada ao declínio da classe social trabalhadora. Uma estória sobre amor e sobre os sacrifícios que têm de se fazer em prol das crenças. «O jovem Karl Marx» faz-nos recuar aos tempos de escola e recordar as aulas de Filosofia e de História e perceber que a sociedade, apesar de ir evoluindo, também vai repetindo os mesmo erros de outrora.

 

Sprechen sie deutsch? Parlez-vous français? Do you speak english?

Quem responder afirmativamente a estas perguntas entrará mais facilmente no filme. Convenhamos, faz todo o sentido que dois alemães falem alemão um com o outro mesmo estando em França, da mesma forma que faz sentido que os discursos de um alemão em Paris sejam ditos em francês ou que um alemão fale inglês com os seus trabalhadores em Manchester.

«O Jovem Karl Marx» coloca-nos novamente na carteira da escola quando estudámos Filosofia, mas também nas aulas de História em que abordámos a revolução industrial. Demorou 10 anos a produzir este filme baseado em factos verídicos sem que seja necessário mencioná-lo.

Um filme para nos ajudar a recordar como chegámos onde estamos hoje nos direitos sociais laborais.

Um filme que nos mostra como dois livres pensadores leram o que estava a acontecer à classe trabalhadora e pensaram em soluções para um pós revolução industrial, reconhecendo que a igualdade é muitas vezes uma utopia e defendendo o bem estar comum.

Marx e Engels não interpretaram apenas a sociedade, tal como outros filósofos anteriores. Eles tentaram mudá-la. E quem tenta mudar depara, não poucas vezes, com o sistema já estabelecido e que, também não poucas vezes, dificulta a vida a quem o queira mudar. Jogos de bastidores que dificultam a mudança e jogos de bastidores aos quais se recorre para terminar um sistema que vive deles. Um filme de amizade, amor e sacrifício.

O actor alemão August Diehl (que já vimos em «Inglourious Basterds» e «Salt») está óptimo no papel do jovem Karl Marx, ao lado do também alemão Stefan Konarske, no papel de Friedrich Engels.

O realizador é o haitiano Raoul Peck, já com passado em histórias verídicas, como é o caso do documentário «I’m Not Your Negro» (2016) – nomeado para Oscar em 2017 – e do filme biográfico «Lumumba» (2000), sobre o carismático líder congolês Patrice Lumumba. Aliás, Peck co-assina o argumento de «O Jovem Karl Marx» ao lado de Pascal Bonitzer (que tinha escrito o argumento de «Lumumba»).

Um filme que certamente viverá muito no tempo e que, nos dias que correm, faz muito sentido.

Ficha técnica:

Título em português: «O Jovem Karl Marx»
Título original: «Le Jeune Karl Marx»
De: Raoul Peck
Com: August Diehl, Stefan Konarske, Vicky Krieps, Olivier Gourmet, Hannah Steele e Alexander Scheer
Género: Biografia / Drama / Histórico
País: Alemanha / França / Bélgica
Duração: 118 minutos
Ano: 2017

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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