Um não-africano vence a EDP Meia-maratona de Lisboa

A prova feminina era para ser o principal destaque da EDP Meia-maratona de Lisboa, mas a verdade é que a surpresa aconteceu na prova masculina, com o triunfo de Jake Thomas Robertson, da Nova Zelândia. Retirando Mo Farah, atleta da Somália naturalizado inglês e vencedor em 2015, há 18 anos que os triunfos da competição eram conquistados por atletas oriundos de África.

 

Sem contar Mo Farah, o último não-africano a ganhar a EDP Meia-maratona de Lisboa foi um português, António Pinto, em 1998, com o tempo de 59m43. Este domingo, e após 18 edições, tal feito aconteceu novamente, com o triunfo de Robertson, que, na sua primeira participação na distância, terminou com o tempo de 1h00m01, menos 10 segundos que James Wangari Mwangi, do Quénia. Na terceira posição ficou Edwin Kibet Koech, com 1h00m44.

«Estava um pouco nervoso porque se falava aqui em recordes do mundo. Estava com alguma expetativa, já que esperava correm em 59 minutos. O recorde do Mundo ainda está longe para mim, mas penso que a prova correu bem e corri para vencer. Estive perto de superar o recorde da Nova Zelândia, que é do meu irmão, mas estou muito feliz com a vitória. Cheguei aqui para vencer e consegui. Obrigado Lisboa!»

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O tempo de Robertson foi comemorado por Carlos Móia, organizador do evento, na conferência de imprensa:

«Na parte masculina temos a registar que apareceu um neozelandês a ganhar e a quebrar a hegemonia de África. E por três segundos não superou o recorde da Oceânia… Estou extremamente contente, já que, para a prova, apareceu um jovem neozelandês a ganhar na sua primeira Meia-maratona.»

O melhor português foi novamente Samuel Barata, com o registo de 1h03m51, sexto colocado. Nota ainda para Hélder Santos (1h04m59), nono, e Bruno Paixão (1h05m08), décimo.

«Felizmente consegui ser o melhor português pelo segundo ano consecutivo. Trabalhei muito para estar em forma neste período da época, estive em duas provas de muita responsabilidade para o clube, o Corta-mato Longo e Curto, onde fiquei em quarto e ganhei, respetivamente. Estava com algum receio do meu desgaste e também dos meus rivais portugueses, de bom nível.
No quinto quilómetro senti-me bem e tomei a iniciativa. Entre o décimo e 15.º km corri muito bem para tentar baixar a minha marca pessoal, que felizmente consegui.
Acredito que esta será a minha disciplina do futuro, já que, a cada ano, melhoro o meu tempo. Tenho tudo para melhorar ainda mais para algum dia, quem sabe?, discutir com os quenianos», afirmou à RTP.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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